


A Corregedoria da Emdurb concluiu pela demissão da presidente da Emdurb, Gislaine Magrini, e dos diretores de limpeza pública, Levi Momesso, e administrativo-financeiro, Bruno Primo, por faltas graves, omissão e desleixo no caso das telhas e sucatas de luminárias vendidas a empresa Tuim sem processo interno, com pagamentos em pix para o funcionário e gerente da própria Emdurb e, ainda, a troca de telhas por madeira com outro funcionário.
Na manhã desta quarta-feira (28), a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura as mesmas denúncias de desvios de bens inservíveis e sucatas da Emdurb ouviu quatro depoentes e revelou novas informações, entre elas o relato da motorista Melâni Manso Collus – de que acompanhou a presidente da Emdurb, Gislaine Magrini, na loja onde foram comprados móveis com recursos da venda de materiais e o pagamento em dinheiro de parte do valor ao gerente de Limpeza Urbana da empresa municipal, Wagner Rodrigues.
Magrini havia dito em depoimento que não sabia sequer da compra dos móveis. Mas no dia 3/11/2025, a presidente foi até a loja da Caema para escolher os itens – depois comprados e pagos pelo dono da sucata que adquiriu telhas da Emdurb.
A sexta reunião do colegiado foi realizada na Câmara e contou com as presenças do presidente da CEI, vereador Marcelo Afonso (PSD), e dos membros Edson Miguel (Republicanos), Arnaldinho Ribeiro (Avante) e Márcio Teixeira (PL), além de José Clemente Rezende, advogado indicado pela OAB-Bauru. Os vereadores Julio Cesar (PP), Estela Almagro (PT) e o relator Sandro Bussola (MDB) não participaram por compromissos fora da cidade.
Outra revelação do dia é de que a empresa Tuim Sucatas pagou por parte das telhas da Emdurb também em dinheiro. A filha do empresário repassou o valor a Wagner Rodrigues, afirmou Tuim.
REVELAÇÕES
Respondendo a perguntas de Arnaldinho Ribeiro, o proprietário da Tuim Sucatas, Wagner Cardoso, afirmou que caminhões da Administração Municipal realizaram cinco viagens ao ferro-velho, transportando 2.383,9 kg de materiais. Segundo ele, o ferro foi pago a R$ 0,50 o quilo (luminárias) e o alumínio a R$ 9 o quilo (telhas).
Ainda de acordo com Wagner Cardoso, foram realizados quatro pagamentos via pix: dois no dia 7 de novembro de 2025 para a conta de Wagner Rodrigues, gerente de Limpeza Pública da Emdurb, nos valores de R$ 3.274,08 e R$ 400. No mesmo dia, houve um pix de R$ 4.400,00 para a Caema Madeiras e, em 11 de novembro, outro de R$ 2 mil para a Leroy Merlin.
Wagner Cardoso declarou que os materiais retirados do Terminal Rodoviário já foram prensados e vendidos, e que aceitou comprar os itens após ser informado pelo gerente da Emdurb de que a licitação teria sido dispensada. Ele também afirmou não possuir sistema de monitoramento capaz de armazenar imagens por mais de 30 dias, o que inviabiliza a apresentação de registros do período investigado.
Na sequência, questionada por Márcio Teixeira, a motorista Melâni Collis, que atua há cerca de um ano no setor da presidência da Emdurb, prestou depoimento breve e confirmou que esteve com a presidente Gislaine Magrini na loja Caema, onde, segundo apuração da CEI, teriam sido adquiridos móveis com recursos provenientes da venda das telhas do Terminal Rodoviário.
O motorista Pedro, lotado na Administração Regional da Independência, relatou ter feito uma viagem transportando luminárias da Rodoviária ao ferro-velho, também escoltado por veículo da Emdurb. Segundo ele, o descarregamento foi feito por reeducandos, enquanto permanecia no caminhão. O servidor afirmou ainda que estranhou a situação e reforçou que foi a primeira vez que realizou esse tipo de transporte. A próxima reunião da Comissão está marcada para o dia 3 de fevereiro (terça-feira que vem), às 14h.