Emdurb usa empresa de sucata como tesouraria paralela

O gerente de limpeza, Wagner Luiz Rodrigues, falou à CEI

A Emdurb usa empresa de sucata como tesouraria paralela, efetuando pagamento via intermediários de suas compras de móveis e também de serviços. O modo completamente ilegal foi adotado pelo menos três vezes com a empresa Sucatas Tuim no final de 2025. A amplitude e repetição das irregularidades ocorreu no final do ano passado, decorrente das ações informais realizadas por funcionários da Emdurb a partir da retirada de telhas retorcidas com o vendaval no Terminal Rodoviário.

As novas informações apenas endossam o rol de irregularidades em apuração na Comissão de Inquérito (CEI) aberta pelo Legislativo. Ainda no final do dia desta terça-feira (20/1), os membros da CEI foram ao Ministério Público Estadual para saber do caso naquela instância. O promotor Fernando Masseli Helene disse aos vereadores que ouviu da presidente da Emdurb, Gislaine Magrini, a ocorrência de compras ilegais, ainda no final do ano passado. Mas não há procedimento do MP em andamento.

Participaram da reunião os membros da Comissão Especial de Inquérito: o presidente Marcelo Afonso (PSD), o relator Sandro Bussola (MDB), os vereadores Edson Miguel (Republicanos), Arnaldinho Ribeiro (Avante), Estela Almagro (PT), Julio Cesar (PP) e Márcio Teixeira (PL), e José Clemente Rezende, advogado indicado pela OAB – Bauru para acompanhar a apuração.
TESOURARIA

Até aqui, está claro após os 4 depoimentos iniciais à CEI que a Emdurb descumpre regras da legislação federal a que está submetida (lei 13.303) e protocolos comuns para transação inclusive de dinheiro com terceiros. Após os depoimentos de Gislaine Magrini, presidente, Levi Momesso, diretor de limpeza pública, Bruno Primo diretor administrativo e financeiro, e Wagner Luiz Rodrigues, gerente de limpeza pública, estão confessadas irregularidades em várias frentes.

A gestão da Emdurb não somente vende bens internos sem processo, sem leilão, registro, inventário, ou emissão de guias e outras formalidades exigidas em empresa pública. Ela também compra bens e serviços com pagamentos realizados por terceiros, inclusive com o trânsito de dinheiro através de pessoas ou empresas. Além disso, também está demonstrado, por afirmação vinda também dos depoimentos, que a Emdurb ainda faz escambo (troca) de produtos com seu patrimônio, mesmo em ações de reforma. E com o escambo com funcionário interno. (leia mais em link abaixo sobre cobertura da CEI).

Gerente de Limpeza Pública da Emdurb há 6 meses, Wagner Luiz Rodrigues, e servidor de carreira há 16 anos, Wagner Luiz Rodrigues deu detalhes do que já havia sido levantado: uma sequência de contatos verbais, mensagens por telefone celular e ações informais, completamente fora das normativas, para vender e pagar bens.

Wagner, na verdade, afirma que cumpriu ordens do diretor, Levi Momesso – que assumiu as ações relacionadas aos procedimentos irregulares de venda de telhas da Emdurb para a empresa Sucatas Tuim e, em seguida, também da compra de móveis para a sala da presidência da própria Emdurb, mas cujos pagamentos foram realizados pela sucata. E o saldo das operações, como já informado, ainda permanecendo com a empresa de fora.

Wagner confirmou que o dinheiro utilizado na compra de móveis na Leroy Merlin, em Bauru, passou por sua conta pessoal: “entrou e saiu, no valor exato”, disse. Em outro procedimento, o pagamento de outra compra de móveis (junto a empresa Caema) também foi realizado com uso de crédito, pago pela Tuim, segundo os depoentes.

Mas a informalidade foi além. Wagner contou, no depoimento de hoje, que pagou (com PIX de sua conta) R$ 500,00 para um assentador de piso – serviço prestado pelo autônomo Márcio Henrique Alves da Silva na sala da presidência, em um sábado, no ano passado. O piso foi adquirido na Leroy com dinheiro do crédito da sucata, também conforme o depoimento.

Também em depoimento à CEI, o atual diretor administrativo e financeiro, Bruno Primo, teve embate com troca de farpas com a vereadora Estela Almagro – que manteve o tom incisivo em seus questionamentos. O diretor disse que soube da venda direta de telhas após denúncia interna e, depois do vendaval, viu não haver mais condições de regularizar as ações.

Ele disse que avisou ao diretor e gerente (que não respondem pela área da Rodoviária) que as ações foram irregulares. Pressionado nas perguntas, Primo admitiu omissão em razão de seu cargo nos episódios.

Bruno Primo é diretor administrativo e financeiro da Emdurb

CEMITÉRIOS

A informalidade como prática de gestão tem histórico na Emdurb. E há anos. Também é notória a fragilidade no controle de bens, estoque e descartes.

Para exemplificar apenas um caso, entre os emblemáticos, o CONTRAPONTO revelou o caso da comercialização de tijolos, em um conluio com terceiros e serviços na área de Cemitérios da Emdurb. Apuração do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou como as fragilidades facilitaram condutas irregulares.

Com histórico de déficit financeiro por vários anos, e escalonamento de dívidas com calotes em encargos sociais, por várias gestões, a Emdurb só conseguiu aparente equilíbrio orçamentário no final de 2025 graças a uma sequência de aportes milionários do governo municipal, aprovados pela Câmara, e elevação dos valores de contratos, além de aumento de serviços em áreas como varrição.

O orçamento aprovado para este 2026 para a Emdurb encosta na casa dos R$ 100 milhões. A empresa foi (e continua sendo) também o local predileto deste (e de outros governos) para acomodar cargos políticos, de apadrinhados da gestão e de vários partidos que apoiam a prefeita.

O aparente equilíbrio contábil não está consolidado, de outro lado, dada a existência de milhões e Reais em contas parceladas (ou a serem renegociadas) de encargos sociais (FGTS, INSS e etc). O peso desse passivo é enorme sobre a Emdurb. Agora se sabe que a empresa, além disso, ainda padece de governança, gestão, capaz de racionalizar e exercer controle de bens e valores.

O retrato dessa jornada inclui sucateamento. A frota de caminhões de lixo é, em sua maioria, há anos alugada. Não há recurso próprio para recomposição. E o que tem, a Emdurb ainda “gerencia” fora da lei. A questão inevitável é: qual a extensão da má gestão sobre todos os setores em que a empresa pública atua?

MANDADO

Ainda durante a reunião da CEI (20/1), a procuradoria jurídica do Legislativo informou que ingressou com mandado de segurança para buscar no Judiciário que a Comissão tenha acesso a toda a sindicância – cujo conteúdo foi negado pela Corregedoria da Emdurb sob alegação de sigilo previsto em lei, até o final da apuração.

Nesta quinta-feira (22/01), às 9h, a CEI fará uma diligência no Tuim Sucatas, ferro-velho que comprou as telhas e estruturas de luminárias consideradas inservíveis retiradas da Rodoviária. Na sexta-feira, seguem depoimentos. 

Aa oitivas vão continuar com o Coordenador de Administração Regional do Bela Vista, da Secretaria de Serviços Urbanos, Augusto Mendes; o Coordenador de Administração Regional do Mary Dota, da Secretaria de Serviços Urbanos, Dimas Tadeu Covolan; o Coordenador de Administração Regional da Independência, da Secretaria de Serviços Urbanos, Ailton Ricardo da Cruz; e o Chefe da Corregedoria Geral da Emdurb, Marco Antonio Resta Cury.

LEIA MAIS SOBRE aqui:

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Decisão do TCE sobre cemitérios põe sobrevivência da Emdurb em xeque

 

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