
Os ‘superávits’ acumulados na arrecadação de 2021 a 2024 pagaram o aumento mais vigoroso das despesas do governo Suéllen em 2025. Após acumular sucessivos crescimentos na arrecadação desde o primeiro ano do primeiro mandato, em 2021, a prefeita volta a ter crescimento comparativo no caixa no último ano. As ‘sobras’ acumuladas em todo o período permitiram fechar as contas. Os dados oficiais divulgados pelo governo mostram que se as despesas cresceram em R$ 119 milhões, as receitas saltaram R$ 117 milhões no confronto entre 2025 e 2024 para os dois itens.
Assim, do ponto de vista da contabilidade, a prefeita tem números favoráveis para apresentar no relatório final da gestão de 2025 ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Contudo, o que o CONTRAPONTO vem alertando é que, mês a mês – e com maior ‘força’ em 2025 – Suéllen acelerou com a criação de mais despesas obrigatórias do que a arrecadação melhorou. E este é o ponto de inflexão!
O infográfico acima traz um resumo e, ao mesmo tempo, detalhes de cada um dos indicadores. Você tem a disposição tanto a arrecadação, por item, do mês de dezembro do confronto dos últimos dois anos, quanto do ano ‘inteiro’. Assim, a tabela oficial divulgada pela Secretaria Municipal de Fazenda mostra que em 2025 o cofre municipal recebeu o total de R$ 1,688 bilhão, contra R$ 1,571 bilhão em 2024. O crescimento nominal do caixa (sem descontar inflação) foi de R$ 117 milhões.
Em síntese: não é verdade, como foi dito em entrevistas, que o Município sofre queda na arrecadação. Ao contrário! A bonança no caixa se repete em todos os 5 anos do governo Suéllen.
Já as despesas liquidadas (todas as obrigatórias) somaram R$ 1,651 bilhão contra R$ 1,532 bilhão (2024). Ou seja, aumentaram R$ 119 milhões. Na ponta do lápis o número mostra equilíbrio absoluto. Aqui entra uma série de “senões” que precisam ser levados em conta:
PITACOS POR ITEM
. Em 2025, as receitas tiveram ajuda de algo perto de R$ 25 milhões com Refis (perdão de juros e correção para devedores acertarem suas dívidas com a Prefeitura). Ou seja, é recurso extra (não se repete). A despesa prevista era maior. O governo segurou ou não realizou ações que inseriu no Orçamento (LOA), como mais de R$ 35 milhões de investimentos no Meio Ambiente (barracões e maquinários). E este item, por exemplo, foi retirado da LOA 2026.
. Como nos anos anteriores, desde o início do governo Suéllen, o Munícípio não só não acertou a dívida monstruosa da Cohab com a Caixa (FGTS), como, em razão disso, não pagou um centavo do parcelamento. E não há recursos no Orçamento de 2026 para esta finalidade. A dívida permanece crescendo e com fechamento incerto.
. A despesa total de R$ 1,651 bilhão em 2025 reflete não mais do que 4 meses da criação de novas 3 Secretarias (Governo, Habitação e Comunicação) sobre as contas. Assim, com o “ano cheio”, a despesa com estrutura permanente das novas pastas e a criação de algumas dezenas de novas funções comissionadas (incluindo os agora 17 secretários-adjuntos) será proporcionalmente bem maior a partir deste 2026. E não há, por outro lado, fontes novas de receitas para bancar novos projetos – mesmo para as recém-criadas Secretarias.
. Exatamente por saber do aperto nas contas para atender aos compromissos que a reelegeu (leia-se asfalto, sobretudo), Suéllen aprovou no ano passado autorização para financiar até R$ 119 milhões do governo do Estado exatamente para pavimentação e obras complementares de infraestrutura em vários bairros. Após carência de 1 ano, as parcelas terão de ser pagas – incluídas no próximo Orçamento.
. Outros R$ 40 milhões (o governo divulgou que o investimento total pode chegar a R$ 60 milhões) foram aprovados de empréstimo junto ao Governo Federal (Finisa – Caixa) para instalar poços no Val de Palmas, Reservatórios e adutoras. O contrato dos primeiros 5,5 km de adutora está assinado, ao valor de R$ 21,7 milhões – com dispensa de licitação. Os juros do Finisa são bem mais caros do que outros empréstimos. E as parcelas terão de ser repostas, ainda que via transferência pelo DAE.
. A LOA 2026 inscreveu R$ 62,5 milhões para ajuste no rombo financeiro mensal da previdência – cuja despesa o Tribunal de Contas julgou, sobre 2024, que é do Executivo. A prefeita quer discutir este acerto vinculado a regras mais rígidas para aposentadorias. Os estudos e reflexos dessa “engenharia financeira” terão de ser debatidos neste ano. Esse buraco foi amenizado em 2025 graças a lei chamada de “balão”: a cada 5 anos, a Prefeitura vende a gestão da folha de servidores para um banco. E deposita essa receita extra para a previdência. O valor total foi de R$ 50 milhões, em 2025.
. Os municípios entraram em 2026 recebendo o julgamento pelo STF do Descongela – que garante ao funcionalismo contar o período congelado na pandemia de tempo de serviço para efeito de benefícios, como biênio, licença prêmio. A conta retroativa implica em milhões de Reais. O valor ainda não foi calculado. Mas essa verba não existe no Orçamento.
. No setor de arrecadação, o governo Suéllen discute outros itens com impacto no caixa, como perda de IR (Imposto de Renda) com o início da primeira fase da Reforma Tributária e não aprovação da revisão da planta de valores do IPTU (cuja estimativa implicou em deixar de arrecadar R$ 10 milhões neste 2026).
. O acumulado de superávits anuais orçamentários, como os R$ 114 milhões (2021), R$ 252 milhões (2022) e mesmo os cerca de R$ 45 milhões 2024), no tempo, foram essenciais para que o governo mantivesse volume significativo de aplicações financeiras. E, com os juros nas alturas no País, o caixa do governo Suéllen foi beneficiado com a entrada de dezenas de milhões de Reais, em cada um dos cinco anos de gestão até aqui.
. Somente em 2025, a rentabilidade de aplicações ainda rendeu R$ 62,4 milhões. Mesmo em 2024, a renda do mercado financeiro (verba que também não se repete, é variável) gerou R$ 53,8 milhões a mais de arrecadação. E esta verba extra só foi menor porque a prefeita aplicou mais de uma centena de milhões de Reais em contratos de pavimentação – sobretudo para fazer canteiro de obras nos 3 meses que antecederam as urnas, em 2024.
. O governo tem pela frente uma série de compromissos difíceis de serem cumpridos: como a revisão das carreiras com valorização dos pisos (PCCS) e instalar e equipar um Hospital Municipal (Núcleo Geisel). Em outros setores, a prefeita teve, por exemplo, de cortar R$ 26 milhões de contratos com entidades assistenciais já para este ano. A dificuldade em manter programas primordiais da assistência social refletiu apelos de dezenas de entidades em audiência pública realizada na semana passada, presidida pelo vereador André Maldonado. O Orçamento do setor caiu de R$ 138 milhões para R$ 112 milhões. Só será suplementado se houver “excesso de arrecadação”…
. Demonstramos, em matéria específica disponível para busca no site que a Prefeitura enfrenta problemas para cumprir os 5% mínimos obrigatórios, da Constituição, de gastos registrados como investimentos.
. Outros pontos incidem sobre a demonstração de dificuldade orçamentária e equilíbrio das contas no governo. Mas a lista acima oferece um panorama para reflexão e debate permanente sobre a capacidade da gestão de não tirar da mesa (e da caneta) lições elementares: governar é saber fazer escolhas, saber eleger prioridades, fazer “mais com menos” …
Como está o governo de sua cidade? Você acompanha os números? Ou, como muitos, acha esse tipo de textão enfadonho demais e não chegou nem até aqui na leitura? Reconhecemos, conteúdos de contas, finanças, são enfadonhos mesmo!
Por isso mesmo, estamos aqui para apurar, refletir e traduzir pra você os principais pontos. Imagina se nem esse CONTRAPONTO você tivesse?