O efeito triplo no bolso do bauruense no aumento da conta de àgua aplicado por Suéllen

Suéllen Rosim na Lagoa do Rio Batalha em tempo de estiagem

Em um ano e um mês, a Prefeitura de Bauru reajustou a tarifa de água e esgoto cobrada pelo DAE em 18,3%. O primeiro reajuste foi em janeiro de 2025, relativo ao ano de 2024, de 10,5%. O segundo foi anunciado neste sábado (14/2) de Carnaval e é de 7,8%. A inflação acumulada neste período foi de 9,3%.

O reajuste anunciado pela prefeitura neste sábado ocorre dois dias após a entrega de envelopes por parte de três empresas que disputam o bilionário contrato de tratamento de esgoto da cidade – a multinacional espanhola Acciona, a líder nacional em saneamento Aegea e o consórcio liderado pela CBI (Companhia Brasileira de Infraestrutura).

O reajuste da tarifa de água e esgoto impacta diretamente, para mais, no custo da concessão, que é de R$ 3,6 bilhões. O Município sabia que o aumento sequencial no custo da àgua amplia a margem de lucro da empresa que vencer o edital em dezenas de milhões de Reais.
De outro lado, a prefeita adotou outorga (pagamento) com valor fixo para quem vencer o contrato bilionário, com o valor total de apenas R$ 12,2 milhões.
O governo Suéllen, com isso, impõe um triplo custo adicional ao bolso dos bauruenses. Primeiro, transfere para o cidadão e empresas a perda de faturamento do DAE. A concessão retira da autarquia cerca de R$ 90 milhões anuais para o contrato privado.
Segundo, onera a despesa do tratamento de esgoto em mais de 18% na véspera de definir o contrato. Porque o pagamento à vencedora está atrelado ao valor do consumo de àgua.
Terceiro, fato também ainda não percebido pela população, antecipa efeito de despesa muito acima da inflação para a outra concessão em curso. A do lixo e serviços de limpeza.
Um efeito pesado em cascata sobre itens que nada tem a ver com a àgua que sai das torneiras. É preciso saber que Suéllen Rosim impõe ao bauruense aumento de despesa para limpeza de bueiro, varrição, cata galho, manutenção de piscinão, adutora da ETA até a praça Portugal e até para a conclusão da ETE Distrito. Tudo passará a ser pago atrelado ao consumo de àgua. Tudo isso antes sequer dos serviços serem prestados. E, no caso da ETE, o bauruense ainda vai financiar a obrigação de investimento da construtora. O edital transfere os cerca de R$ 300 milhões em caixa para concluir a obra incacabada. O prejuízo fica ainda maior ao se calcular o custo dos mais de R$ 110 milhões utilizados na ETE – parada desde setembro de 2021.
A sequência de fatos e decisões do governo traz, assim, uma canetada sincronizada em escala de milhões de Reais que entra para a história.

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