Condomínios de logística e serviços e a onda de multiplicação de empregos em Bauru

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Distrito I terá condomínio de serviços em 238 mil metros quadrados na antiga área da Mondelez

Não é a atração de eventuais indústrias que vai gerar empregos a curto prazo por aqui. Eles virão, mas através de centros logísticos, o chamado “hub”. A área de condomínios de serviços e logística em Bauru vai triplicar sua capacidade nos próximos meses. Cantamos a bola com o desenvolvimento do Bauru Business Park, às margens da rodovia Marechal Rondon. E tem muito mais no setor…

A área que abrigou a poderosa Mondelez, no Distrito Industrial I, foi adquirida por fundos de investimentos e já tem projeto aprovado, no mês passado, no Cadem (Conselho Municipal de Apoio ao Desenvolvimento). Os 238 mil metros quadrados serão ocupados por pelo menos 35 novos endereços fiscais. O projeto foi pensado há 4 anos, mas “decolou” neste pós-pandemia e após o governo municipal receber a importância do investimento, apesar da demora com que as ações caminham na Prefeitura.

Fábio Biancardi é o administrador de negócios de construções sob encomenda para a reinstalação na antiga Mondelez. Ele conta que as 35 plataformas iniciais vieram atrás de galpões e pátio desenhados para logística e serviços. A princípio, a ocupação está dirigida a áreas que envolvem grandes entrepostos para produtos em alimentação e remédios. “Temos localização, estrutura de modais no entorno (rodovias duplicadas, aeroporto, hidrovia, parte da ferrovia, estação alfandegária), mas não temos áreas com barracões de vão livro com pé direito acima de 9, 10 metros. Mas não é só isso que trava Bauru neste setor, aborda.

As empresas de porte precisam de entrepostos fora da Capital para intermediar as distribuições de produtos. Mas a primeira exigência é documentação. “A empresa hoje liga para o agente imobiliário e a primeira informação é documentação, viabilidade de instalação. Licenciamento, alvará de Bombeiros (AVCB), acessibilidade operacional, habite-se municipal e pátio são exigências fundamentais. Desta somatória de fatores nasceu o projeto de transformação de uso da área do Distrito I, da antiga Mondelez, agora aprovado”, cita.

Para Biancardi, neste contexto “a área da Mondelez se tornou a cereja do bolo. “O projeto oferta galpões para 20 mil metros quadrados em novas instalações sob encomenda se preciso. E tem lá 34 mil metros quadrados de galpões prontos, em 5 construções. O agregado é que tem área para pátio. Por isso os condomínios logísticos aqui estão com mercado em expansão. A empresa de porte em transporte tem de ter condições operacionais efetivas para armazenar, distribuir e manobrar isso tudo. E os condomínios têm esta solução”, aborda.

RETORNO DE MARCAS

O projeto aprovado no Cadem está na fase de desmobilização industrial. Máquinas têm de ser destruídas no segredo industrial. E, nos próximos 6 meses, as ocupações passam a se efetivar no Distrito I. A antiga fábrica da Mondelez tem posto de abastecimento de combustível, estrutura de usina de energia elétrica de alta tensão, estação de afluentes com reciclagem, caldeira, balança, entre outros atributos.

O projeto tem investimento de R$ 100 milhões. As operações iniciais exigem R$ 45 milhões. “São negócios de porte, cujo cenário de retorno se dá a partir de dois anos. Tudo passa por Bauru. E esta vocação para condomínios de serviços vai atrair de volta para cá operações que saíram para Marília, Rio Preto, por falta desta estrutura”, aposta o executivo.

Outro ponto é que, cravado em área já industrial, o local do novo condomínio de logística tem proximidade comão de obra. “Bairros como o Otário Rasi e nas proximidades já ofertam quantidade expressiva de mão de obra para o Distrito hoje. E esta característica continua sendo levada em conta com o Condomínio de Serviços”, expõe.

Ou seja, se a saída da Mondelez fechou 1.200 empregos (um prejuízo que ainda está sendo digerido pela cidade – tanto na realocação de carteira assinada quanto na perda de índice de repasse do ICMS estadual), os condomínios são, nesta fase, a promessa de retomada com mais de 1.000 vagas diretas, no projeto do Distrito I. Mas tem mais investimento vindo por ai.

EXPANSÃO LOGÍSTICA 

Enquanto os Distritos Industriais de Bauru agonizam há anos – com falta de estrutura básica, acessos decentes, sem rede de hidrantes para atender a norma contra incêndios e reduzir o custo industrial com seguro, e precariedade em esgoto, iluminação e água – a rota de expansão de investimentos privados para Condomínios de Logística só não se efetivou antes porque o Poder Público emperra projetos.

A expansão revelada com exclusividade pelo CONTRAPONTO no ano passado parece, enfim, sair dos escaninhos da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) e Departamento de Água e Esgoto (DAE). O Bauru Business Park, no quilômetros 348 da rodovia Marechal Rondon, está com a plataforma de expansão em fase final.

Termo de ajuste está consolidado para a expansão do Bauru Business Park, na “borda” da Rondon

A duplicação da atual área de entrepostos, com aproveitamento potencial de outros 240 mil metros quadrados de instalações, tem termo de ajuste finalmente encaminhado. A maior dificuldade foi com o DAE. O atual governo, através da Sedecon e DAE, compreenderam que a agilização do processo e a aplicação de exigências proporcionais em infraestrutura para a regularização de nova área, contígua à já em operação, eram o caminho.

Ainda que não no tempo dos negócios, a aprovação dos termos para ampliação das instalações foi ajustada. O curioso é que o Distrito Industrial de Logística já contempla três condomínios instalados, com galpões em operação que alcançam faturamento médio/ano de R$ 5 bilhões.

Atualmente, o complexo (com infraestrutura completa advinda da antiga Cteep) com área total de 565.140,99 metros quadrados abriga 21 marcas e serviços, em três condomínios (um de serviços diversos e dois exclusivos). O espaço, apesar dos entraves junto ao setor público, abriga um dos maiores centros de distribuição das principais marcas do País.

Grandes magazines utilizam a tão decantada localização geográfica (e estrutura modal que “corta” Bauru) para armazenas e redistribuir encomendas em escala. Com o avanço do e–commerce, o potencial de novos negócios ganha força. A questão é a cidade não “perder o bonde”. A economia não espera.

Boa parte da cidade nem conhece a instalação e o que é movimentado por lá. Mas no Bauru Business Park, no quilômetro 348,2 da Rodovia Marechal Rondon, estão 22 empresas especializadas em negócios de médio e grande porte de logística e transporte. O espaço já contempla 1.000 empregos diretos nos galpões e outros 1.200 da cadeia (transporte e afins).

Há diversificação de ocupação, em um setor, e outros dois condomínios particulares. O Distrito abriga, por exemplo, o maior Centro de Distribuição de Logística e Transporte (hub) da Braspress no Interior e, ainda, um segundo condomínio interno com cinco empresas agregadas ao segmento de higiene, cosméticos, defensores agrícolas, entre outros.

O potencial de instalação disponível, de mais de 200 mil metros quadrados, tem capacidade para abrigar outros 1.500 empregos diretos e até 2.000 indiretos.

É isso! Compreender vocações e oportunidades. Do lado do governo, a Sedecon acaba de entregar ao Legislativo o projeto de revisão da Lei dos Distritos, de um lado, e a Seplan anunciou que projetos de habitação até 150 metros quadrados de área construída vão ter aprovação por autodeclaração dos profissionais responsáveis. Ou seja, a administração afirma que os processos vão andar.  Tomara!

QUER SABER MAIS SOBRE DISTRITOS E LOGÍSTICA?

Leia neste link: https://contraponto.digital/serie-diagnostico-distritos-e-logistica/

 

 

 

1 comentário em “Condomínios de logística e serviços e a onda de multiplicação de empregos em Bauru”

  1. Tem que mudar essa política burocrática para instalação de empresas na concessão de área pública aqui em Bauru. Sempre foi e é um parto. Por isso perdemos indústrias para Agudos, lençóis Paulista, Pederneiras etc… Acorda SEPLAN!!

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