DAE assume “ar” incluído na conta e abre revisão

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Crise no abastecimento, com rodízio, abriu reclamações de registro de consumo mesmo com falta de água

 

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) assumiu, nesta quarta-feira (28/10/2020) a ocorrência de registros de consumo de água com “ocorrência de ar” em Bauru. A autarquia anunciou, no final da tarde, comunicado onde orienta consumidores que tiveram aumento no registro do consumo a solicitar a revisão, no Poupatempo, com agendamento.

A ação informada pela presidência traz como referencial a inevitável avaliação de que a presença de ar na rede (em função das deficiências estruturais em ações como controle de pressão e setorização precária) gera a possibilidade de registro de consumo sem que o consumidor tenha recebido água em seu imóvel.

A princípio, o presidente do DAE, Eliseu Areco Neto, comentou que “diante da situação emergencial de ocorrência reconhecida de racionamento, reconhecer a necessidade de revisão em contas que tiveram alto registro de consumo é uma ação traumática, mas justa“.

Porém, a orientação para que consumidores nessas condições façam seus pedidos de revisão nas contas não significa que a autarquia vai ajustar o valor a ser pago. No comunicado, o DAE comenta sobre as ocorrências, envolvendo o racionamento.

“Em função da estiagem prolongada e onda de calor persistente, bem como outros fatores, como maior permanência das pessoas em seus domicílios devido à pandemia, houve a necessidade do rodízio no abastecimento das regiões atendidas pelo sistema ETA/Batalha. O DAE realizou o mapeamento de todos os imóveis incluídos nestas áreas afetadas, para que, pontualmente e mediante análise prévia, contas de água emitidas durante o período de rodízio fossem revisadas”.

MUDANÇA

Apesar do comunicado (emitido pelo DAE somente às 16h51 – nove minutos antes do fim do expediente no órgão), o presidente Areco Neto atendeu ao CONTRAPONTO, por telefone. A reportagem argumentou que o reconhecimento de ocorrência de consumos elevados com possibilidade de “registro de “ar” não pode ser aplicada apenas para o sistema Batalha/ETA – 140 mil consumidores. 

O CONTRAPONTO posicionou que a presença de ar na rede (para um sistema em que não há setorização em quase toda a cidade e nem controle efetivo de pressão) pode se dar em função de diversas outras circunstâncias operacionais. Paralisação de redes, ou setores inteiros, para consertos de adutoras;  vazamentos em diferentes pontos do sistema (ocorrência que afeta todas as regiões da cidade) também podem levar a “elevada presença de ar na rede” e, consequentemente, acionamento irregular do medidor (hidrômetro).

A presidência reconheceu a argumentação do CONTRAPONTO. Areco Neto disse que vai discutir a extensão da medida ainda nesta quinta-feira. “De fato, como a situação de desabastecimento também tem ocorrências em outros pontos, seja por intervenção operacional do DQE no sistema, seja por outra ação, o comunicado inicial prioriza o sistema Batalha, onde o racionamento atinge diretamente esses consumidores, mas vemos pertinência na necessidade de avaliação também para outros possíveis casos. A orientação é que os consumidores que não tiveram vazamento em seus imóveis e receberam registro bem acima da média de 12 meses, busquem o pedido de revisão que serão avaliados”, ampliou.

COMO SOLICITAR

Por telefone ou e-mail (listados abaixo), o munícipe pode solicitar esta revisão pelo déficit no abastecimento. Porém, outros fatores são analisados junto ao cadastro antes que de fato o recálculo seja realizado.”Se durante esta análise forem detectadas demais interferências no consumo do imóvel, o munícipe será orientado a solicitar a análise da conta reclamada para que outros fatores sejam verificados, como, por exemplo, identificação de vazamento interno, ausência de leitura, etc.

A autarquia, de outro lado, reforça que os pedidos de análise de conta, seja por problemas de abastecimento, vazamento interno não aparente, hidrômetro com avaria e problemas de leitura já são analisados pelos setores responsáveis do Departamento, em cumprimento à Resolução interna 13/2017, vigente desde 30/10/2017.

Serviço – Um servidor do setor responsável ficará à disposição para atendimento exclusivo e presencial desses casos, das 9h às 11h, na sede do DAE, mediante prévio agendamento pelo telefone 3235-6149.

e-mail: analiseconta@daebauru.sp.gov.br
Poupatempo: agendamento prévio de data e horário, que pode ser feito pelo portal www.poupatempo.sp.gov.br

CRÍTICA À CRÍTICA

Você sabe como o DAE mede seu consumo e faz a gestão de sua conta?

Você sabia que após o leiturista registrar os números em seu hidrômetro, os dados vão para o sistema informatizado do DAE?

Até ai, tudo normal! Mas o programa (software) também cruza dados sobre seu histórico de consumo. Pelo menos isso é obrigação!

O banco de dados do DAE tem o histórico de seu consumo. Após o registro do novo mês ser incluído, o sistema emite um relatório que identifica apenas os casos onde o consumo ficou muito acima (ou abaixo) do que cada imóvel consumiu nos últimos 12 meses.

O DAE chama isso de RELATÓRIO DE CRÍTICA. Ele é fundamental para que a autarquia gerencie quem está consumindo mais, se há casos evidentes de possíveis vazamentos e, também, (para as quedas de medição) se há indícios de que alguma gambiarra pode estar acontecendo (imã no hidrômetro já foi muito comum para “impedir” o medidor de funcionar).

E o que o DAE tem de fazer?

A autarquia não informou qual é o percentual (nota de corte) utilizado atualmente. Mas, para fazer gestão regular e eficiente do consumo, a diretoria responsável tem de emitir o RELATÓRIO DE CRÍTICA, ANALISAR OS DADOS e separar os casos críticos (registros de consumo muito acima ou abaixo da média).

A boa gestão pede que um profissional do DAE retorne ao imóvel para checar se não houve erro na leitura, por exemplo. Só então é que a autarquia tem o que é chamado de CRÍTICA DA CRÍTICA.

Esse serviço, burocrático, é fundamental para que a gestão saiba, todo mês, o percentual de erro, o controle de vazamentos internos, o crescimento ou não de irregularidades (infrações do consumidor), entre outros.

Mas, não é só isso. A gestão da CRÍTICA ainda garante ao DAE o planejamento de ações por setor e, por outro lado, ainda fornece dados importantes para o acompanhamento do faturamento mensal, por unidade de consumo. 

O que lamentamos: pedimos os dados da RELATÓRIO DE CRÍTICA do DAE  referente, apenas, a setembro de 2020. E não conseguimos…. o DAE prometeu fornecer as informações (elementares) nesta quinta-feira…. Vamos cobrar!        

 

3 comentários em “DAE assume “ar” incluído na conta e abre revisão”

  1. Eu acho que quê é tudo blá blá
    Tenho um terreno quê tem ligação e não está tendo consumo e está vindo a conta com o mesmo valor e ainda estão cobrando uma taxa de extensão dê ramal eu nem sei do quê é

  2. DAE é uma autarquia sem problemas financeiros, detém um monopólio fantástico, mas historicamente gestores, nomeados por políticos, de uma incapacidade inacreditável. Será que sinceramente acreditaram que esses gestores iam da conta da construção da ETE? São incapazes de gerenciamento de tapar o buraco gerado pela correção de vazamentos de águas, que ficam semanas esperando um reparo. Na porta da minha casa vejo isso. Incapacidade impera lá, como se a crise hídrica deste ano, não acontecesse todo ano, como se os os problemas da ETA e da bacia do Batalha, fossem algo inesperado. Mas para que investir nisso, acho que não dá votos, mas tomara que tire bastante.

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