Despenca procura por concurso da PM e Interiorização da Escola de Soldados pode ser a saída

Os dados são claros: a maior força de segurança pública do País (e o maior contingente entre diversos países) enfrenta queda abrupta no número de profissionais. A Polícia Militar Paulista precisa repor até 3.000 soldados por ano, mas enfrenta elevada redução na procura por concursos, de um lado, e baixa aprovação entre os inscritos, de outro.

O ex-comandante Geral corporação no Estado, vereador Roberto Benedito Meira, aponta que “a PM paulista tem capacidade para formar 2.700 policiais militares por ano para fazer a reposição de até 3 mil policiais que aposentam todo ano. A Escola de Formação de Soldados com sede em Pirituba (SP) tem capacidade para formar até 1.500 por ano. Os demais são formados em diversos Comandos de Policiamento, entre eles o CPI 4 com sede em Bauru, distribuídos de acordo com a capacidade de cada Comando”.

Mas os dados mostram que despenca o número de inscritos em concursos. Veja acima que foram menos de 48 mil no concurso deste ano, contra 115 mil em 2021. E pior: em 2019, antes da pandemia, o total de inscrição foi de 205 mil jovens. Para Meira, algumas razões principais estão entre as múltiplas variáveis para esta situação. “O salário melhorou um pouco agora no início do ano. Mas ainda é um dos mais baixos entre o pago nos demais estados do País. A perspectiva de seguir carreira pública não tem atraído o jovem. E, além disso, hoje o concurso é estadual e quem é aprovado tem de ficar dois anos em São Paulo e depois ainda demora em torno de 3 anos, pelo menos, para conseguir transferência para sua cidade natal”, avalia.

ESCOLA DE SOLDADOS

Meira defende duas medidas para reverter o quadro. A regionalização do concurso para a PM, com a aprovação e admissão para o Interior, outra para Capital e uma terceira para o Litoral.

“Tenho convicção de que se o concurso for regionalizado vai atrair de novo milhares de jovens. Porque ele terá a oportunidade de ingressar na carreira, por concurso, podendo iniciar no Interior, perto de onde mora”, aborda.

Outra medida é a Interiorização da Escola de Formação de Soldados. Como militar, ele defendeu a mudança desde quando foi Comandante Geral. “A PM tem condições de formar hoje 2.700 profissionais por ano. Mas a aprovação é muito baixa. E a procura despencou. Bauru está no Centro do Estado, distante em média 200 km de todos os Comandos (CPI) do Interior (Araçatuba, Presidente Prudente, Sorocaba, Piracicaba). Tem de formar no Interior e classificar e assumir no Interior e não apenas na Capital e Região Metropolitana como hoje”, acrescenta.

A PM Paulista fechou 2022 com 80.137 profissionais em seu quadro, cerca de 10 mil a menos do que em 2006, quando a corporação enfrentou o ataque de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Naquele ano, eram 90.967, incluindo Corpo de Bombeiros. Ou seja, naquele período eram 226 policiais militares por 100 mil habitantes. Agora, são 177. Uma redução de quase 27%.

Este ano, o governador Tarcísio Freitas escolheu os policiais como a primeira categoria a ter reposição salarial. As categorias de entrada nas polícias paulistas foram as mais beneficiadas: soldados 2ª classe passaram a receber R$ 4.066,54 (aumento de 31,62%); escrivães 3ª classe com salário de R$ 5.879,68, (aumento de 24,64%); e policiais técnico-científicos 3ª classe passaram a ganhar R$ 5.526,72, (aumento de 22,19%).

Coronel Meira, prefeita Suéllen Rosim e o vice-governador Felício Ramuth (divulgação 22/08/2023)

PPP EM BAURU

O vereador Coronel Meira realizou audiência com o vice-governador, Felício Ramuth na Capital. A agenda foi firmada através da prefeita Suéllen Rosim, que participou da reunião.

Meira comentou que soube de projeto em estudo pelo Palácio dos Bandeirantes para Parceria-Público-Privada (PPP) para imóveis do patrimônio público. “Solicitei à prefeita audiência com o vice-governador, com quem ela tem bom contato. E fomos a São Paulo para demonstrar que a Segurança Pública tem enorme área em Bauru. O Complexo Penitenciário tem muita disponibilidade. E há interesse detectado junto a investidores para moradias de interesse social. A PPP é um formato que permite ao investidor instalar moradias e realizar a obrigação de construção da Escola de Soldados”, defende.

Segundo o vereador, o vice-governador mencionou que vai discutir as duas medidas (regionalização dos concursos e admissão no Interior e PPP para instalar aqui Escola de Soldados) com os comandos das corporações para, depois, a proposta ser levada ao crivo do governador Tarcísio Freitas.

 

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