Emdurb tem mais R$ 12,5 milhões de encargos sem pagar e deve outros R$ 5,7 milhões a fornecedores

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Novo presidente da Emdurb desde o início deste mês, Éverson Demarchi cumpriu compromisso de informar as contas PARCELADAS e a PARCELAR da empresa até aqui: R$ 35,2 milhões! O acumulado já representa metade do faturamento do ano inteiro da empresa municipal. Ou seja, como alerta o CONTRAPONTO, infelizmente a situação da prestadora exclusiva de serviços ao Município é pior do que a diretoria anterior apresentara.

Mas Vamos destrinchar os dados oficiais finalmente apresentados sem rodeios e refletir sobre?

– primeiro é preciso destacar que o rombo de curtíssimo prazo no caixa, no primeiro trimestre de 2022, equivale aos R$ 4,1 milhões que revelamos ontem, nesta matéria: https://contraponto.digital/emdurb-fecha-primeiro-trimestre-com-deficit-de-r-4-milhoes/. Esta informação é objetiva: basta deduzir a receita das despesas de janeiro a março informadas pela presidência, conforme o infográfico acima. 

– e para se ter retrato da realidade é preciso seguir à risca a anotação básica: arrecadação menos folha, encargos, insumos e provisionamento (1/13 avos) relativo a, pelo menos, o 13º salário de cada ano.

– mas os relatórios internos trouxeram várias inconsistências. Acostumado com planilhas financeiras e dados contábeis, o ex-secretário de Finanças e novo presidente da Emdurb apenas desde o início deste mês, Éverson Demarchi, também teve dificuldades em “limpar” os dados.

– Antes de mais nada, anota ai: como suspeitava o CONTRAPONTO, a Emdurb tem R$ 17 milhões de encargos sociais parcelados (a maior parte com o INSS, de anos anteriores), mas ainda tem outros R$ 12,5 milhões a parcelar, de compromissos com encargos que também não realizou mais recentes. E como existem, também, R$ 5,7 milhões devidos a fornecedores neste momento, acumulados, o buraco é bem mais embaixo: a Emdurb tem de se resolver com um total a pagar total de R$ 35,2 milhões!

–  já explicamos, em matéria anterior (link acima) que o presidente que ficou na função de janeiro de 2021 a 31 de março deste ano, Luis Carlos Valle, apresentou que herdou a gestão com R$ 14 milhões em dívidas do período Gazzetta. Também anotamos que a Emdurb fechou 2021 com mais de R$ 21 milhões de déficit. Ainda esclarecemos que o ‘prejuízo’ (classificação contábil) é menor registrado no balanço porque os gestores deduzem do buraco os ativos (imóveis, frota, etc.). E está correta esta ação contábil.

 – porém, conforme insistia nossa apuração, era preciso “desvendar” a ideia esquisita da diretoria financeira, comandada por Fábio Pinto (ex-secretário de Finanças de Birigui), de apresentar apenas os ‘encargos parcelados’ (como fez na audiência pública da LDO ainda neste mês, no Legislativo). O diretor levou uma bronca, necessária, do presidente da Comissão de Orçamento, Coronel Meira: “não adianta ficar fazendo maquiagem contábil. Vamos decifrar todos os dados. É informação pública”, disse.  

– de outro lado, a reportagem já havia requisitado – há mais de 3 semanas – resposta clara: qual o valor das contas parceladas e a parcelar, incluindo fornecedores. Ainda assim, em reunião da Comissão do Meio Ambiente, na semana passada, Fábio Pinto, repetiu a retórica enrolada de fragmentar cifras. O material (arquivo público na TV Câmara Bauru) traz uma seleção de desencontros, informações incompletas.

– portanto, sem tergiversações contábeis ou verbais, hoje a Emdurb tenta recuperar sua produção a níveis da pré-pandemia (2019) para reduzir o déficit mensal que já bateu em R$ 1 milhão. De outro lado, tem o desafio de alongar a dívida (alterar sua classificação operacional – e.social – de coleta para serviço público) e, assim, entre outras medidas, “esticar” o valor mensal ao máximo que puder parcelar para tentar, mais à frente, se reequilibrar.

Mas só esta operação não resolve. Porque, como demonstrado, o quadro é de caos financeiro. Ampliar a produção (limitada ao orçamento anual destinado pela Prefeitura) e alongar a dívida vão minimizar o rombo, mas ele continuará sangrando, e a valores muito elevados nas contas diárias da empresa.

QUADRO GRAVÍSSIMO

Assim, conforme os dados apresentados pelo presidente Éverson Demarchi, a Emdurb neste momento, infelizmente, encontra-se em situação financeira grave: pior do que a prefeita Suéllen Rosim herdou de Clodoaldo Gazzetta.

Alguns fornecedores não recebem a bem mais de 6 meses. Outros aguardam por 4,5 meses na fila. Outros tentam continuar entregando insumos com promessa de receber com 30, 45 dias de atraso.

A empresa vive uma encruzilhada: sucateamento crescente da frota, incapacidade financeira de manutenção corretiva da frota e predial, insuficiência financeira para manter fornecedores em dia e aumento de despesa com salários e encargos.

Não há como esconder, nas ruas, que muitos moradores identificaram a ocorrência de “revezamento” na cobertura da coleta de lixo (o maior faturamento da Emdurb).

E reajustar contratos não resolve mais, nem de forma paliativa, o quadro grave. Além do saneamento nas despesas, o governo atual procura outras medidas, como reduzir obrigações com o sistema S (que financia o Senai, Senac, Sesi, etc.) na reclassificação de sua atuação no setor de serviços. Mas isto também não basta.

Pior: a prioridade na oferta de preço para se manter contratada pela Prefeitura terá, no tempo, o aumento gradual em seu custo total  para “parar em pé” (continuar operando e pagando as dívidas do parcelamento).

CAUSAS RECENTES

O agravamento da crise financeira tem, evidentemente, impacto significativo da pandemia.

Desde o primeiro quadrimestre de 2020, a Emdurb (como no setor privado) perdeu produtividade. Mas por uma realidade peculiar: não por queda na demanda. Ao contrário: como se sabe, o isolamento social colocou mais pessoas dentro de casa. E o confinamento, a rigor, aumentou o consumo doméstico, e, em alguma dosagem, a produção de lixo.

Mas a Emdurb perdeu 112 trabalhadores (afastamento). E esta despesa permaneceu em folha. E ainda não contou com o reforço de reeducandos em frentes de trabalho. Como a empresa recebe pelo que produz, o rombo teve expansão sequencial. O declínio perdurou durante 2021, também reflexo da Covid. Este quadro explica, em parte, a queda reclamada por bauruenses no alcance e rotina da coleta domiciliar.

Mas não foi só isso. Como apresentamos em seguidas reportagens, a Emdurb vem perdendo contratos há anos, mas sua despesa com pessoal aumenta. Chorume, coleta de lixo saúde, poda de árvores, sinalização viária, capinação: foram contratos que ou foram encerrados ou sofreram redução, até aqui.

Tem dados que são comprováveis a olho, nas ruas. Basta identificar a sinalização de solo apagada em boa parte da cidade. Com a crise sanitária, a Prefeitura “segurou” serviços. Mas, como frisamos, a despesa da Emdurb se manteve.

CAUSAS ANTERIORES

Os números, em observação rápida, refletem, ao fim, o acúmulo de heranças do passivo, ao longo dos últimos governos, refletidos nos R$ 17 milhões de encargos já parcelados.

Contudo, até 2019, a Emdurb vinha conseguindo pagar atrasados e os compromissos mensais (como INSS, Cofins, FGTS, etc) em dia. Como citamos, a pandemia “contaminou” o fluxo de caixa.

O novo presidente, Demarchi, informou na última semana à Comissão do Meio Ambiente do Legislativo que entrega os dados detalhados da situação administrativa e financeira à prefeita até a primeira quinzena de maio. E, em seguida, apresenta ao Legislativo, o plano de ação. Mas adianta: nesta situação, a busca do reequilíbrio vai se estender por, pelo menos, mais dois anos.

Nessas semanas iniciais, enfim, Demarchi faz o certo: colocar todos os dados à mesa! Restará, agora, saber se a prefeita dará respaldo a medidas inevitáveis de saneamento.

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