Emdurb vende telhas e compra móveis sem processo e direto com empresa de sucata, conta presidente Magrini à CEI

A Emdurb vendeu telhas e adquiriu móveis para a sala da presidência sem processo e através de contatos verbais entre o diretor de operações e uma empresa de sucata. Além disso, a empresa municipal teve os móveis entregues ao comando pagos pela sucata e ainda não recebeu desta o saldo da venda das telhas, após o vendaval que destruiu boa parte do Terminal Rodoviário, no final de 2025.

As surpreendentes informações (por se tratar de empresa pública) vieram da presidente da Emdurb, Gislaine Magrini (foto acima), após depoimento à CEI que apura a destinação de inservíveis e compra de móveis. A reunião pública, transmitida ao vivo pelos canais oficiais foi hoje de manhã, no plenário do Legislativo. Sob o compromisso de dizer a verdade à Comissão de Inquérito, Gislaine – bastante nervosa – revelou que a comercialização das telhas foi realizada pelo diretor de Operações, Levi Momesso. O gerente do setor, Wagner Luiz Rodrigues, cumpriu a ação de enviar os materiais retirados da Rodoviária à empresa de sucatas Tuim, conforme antecipamos.

Toda a negociação e entrega das telhas (de alumínio) foi realizada por Levi, conforme Gislaine. Ela afirmou também que o diretor lhe contou, também verbalmente, sobre o procedimento, após a ação concretizada. A venda direta das telhas gerou, segundo ela, R$ 20 mil. O total da venda somou R$ 21 mil, com a inclusão de outros materiais sem condições de uso (latas de tinta e sucatas de lumninárias). “Eu acreditava que estava sendo feito por processo. E não estava. Não sei quantos quilos de telha foram, não sei como foi feita pesagem, cotação. Porque não foi feito processo. Foi verbal a venda de sucatas e de outros itens que não podiam ser patrimonializados”, afirma.

Magrini também surpreende ao dizer: “nem sabia que este dinheiro estava lá (na empresa)”. Abatida, nervosa com a sequência de perguntas de vereadores da Comissão, a presidente disse, somente ao final, em intervenção do advogado Clemente Rezende (indicado pela OAB Bauru para acompanhar a apuração), que o dinheiro da venda dos materiais ainda não foi depositado à Emdurb. Também não há nota fiscal de venda dos itens.

Pior que isso. Regida por lei federal própria (com ritos conhecidos há anos para processos de alienação – número 13.303), a Emdurb destinou bens para empresa privada sem inventário, registro, sem processo, sem cotação, ou abertura de leilão para outros interessados. Mas tem mais. Após vender as telhas para a Sucatas Tuim, a Emdurb recebeu 3 poltronas executivas para a presidência, em 11 de novembro de 2025, ao valor de R$ 2 mil. A despesa foi paga pela empresa que comprou as telhas. E as poltronas foram recebidas pela presidência e instaladas.

“O Levi Momesso me contou após o vendaval que estava levantando os valores para a venda das telhas. Não existiu processo. O Wagner Rodrigues (gerente) fez o contato com as Regionais (da Prefeitura) e levou as telhas vendidas para a sucata”, conta Magrini.

Por esta razão, com0 apontamos em matéria sobre a leitura dos documentos entregues pela Emdurb à CEI, nesta semana, é que não foram entregues documentos comprobatórios da venda das telhas. Não existe processo. Porque foi tudo tratado de forma verbal pelo diretor. Levi Momesso confirma que fez o contato direto com a sucata para a destinação dos materiais e acertou o valor da venda.

Mesmo diante da flagrante irregularidade, a presidente contou que decidiu não afastar o gerente que atuou no caso – conforme indicação da Corregedoria.

Após as declarações da presidente da Emdurb, vereadores da base do governo comentaram: “não tem o que fazer. Foi feito errado tudo”. É cumprir a agenda de apuração e escrever o relatório. Até porque o mesmo procedimento já se encontra na Polícia Civil com detalhes da surpreendente venda informal dos bens públicos.

No próximo dia 19 de janeiro, a CEI espera, por convocação, o diretor da Emdurb, Levi Momesso, o gerente Wagner Luiz Rodrigues, o diretor administrativo e financeiro, Bruno Primo e o empresário da empresa de sucata, Lázaro Santos (convidado). A CEI também quer ouvir os membros da Corregedoria que atuam na sindicância sobre o tema e os diretores Regionais que atuaram na ação de retirada das telhas e envio à empresa privada.

LEIA MAIS SOBRE O ASSUNTO neste link:

Sigilo em sindicância confronta Emdurb e apuração da CEI da sucata

 

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