Ex-secretária diz que foi contra Palavra Cantada e alega interferência do Gabinete na compra de R$ 5,3 milhões

Clóvis Cavenaghi foi ‘braço direito’ da secretária Maria do Carmo Kobayashi na Educação desde janeiro de 2021

A compra do kit Palavra Cantada, por cerca de R$ 5,3 milhões no ano passado, pela Secretaria de Educação, foi efetivada sob interferência do assessor de Gabinete da prefeita, Daniel Fernandes de Freitas.

Segundo Maria do Carmo Kobayashi e seu ‘braço direito’ na Secretaria de Educação desde janeiro de 2021, Clóvis Cavenaghi, Daniel agiu com “ingerência abusiva” na pasta, atuando inclusive junto a servidores em reuniões sem o aceite da titular.

“Não sei quem indicou o Palavra cantada. Não fui eu. Fiquei à margem deste processo. A prefeita é quem decidiu pela compra, anunciando em live com o diretor (pedagógico) Fábio Schwarz em abril de 2022, quando eu estava em viagem em Brasília”, diz.

Ela entregou posição por escrito contrária à compra dos kits pedagógicos, apontando que se manifestou contrária ao material. Ela conta que se posicionou por duas vezes contra, citando que o conteúdo pedagógico adequado para a ação era o Bau Literário. O Gabinete não aceitou a indicação.

Clóvis Cavenaghi disse que, vindo do setor privado, se assustou com o setor público. “O Daniel fez ingerência. Eu soube da opção pela compra do Palavra cantada durante comemoração de professores. A decisão não foi da secretária. Ela estava em Brasília e me ligou perguntando o’ que era isso’ na ocasião. Passei também pela ingerência dele (Daniel).

O gabinete de Suéllen Rosim rebate as declarações, em nota.

“A Prefeitura de Bauru esclarece que o processo para a aquisição do Programa ‘Palavra Cantada’ foi iniciado e teve toda a sua tramitação na Secretaria da Educação. A pasta apresentou dados técnicos com embasamento favorável para o uso do material. O Gabinete participou deste processo da mesma forma que participa de qualquer outro processo de compra”.

A nota também justifica a compra em razão da exigência de gasto mínimo na Educação, posição rejeitada em relação à compra de imóveis também pela pasta.

“Cabe ressaltar ainda que o município é obrigado a gastar 25% de suas receitas com a Educação, e por esse motivo, o Executivo autorizou a compra do material, considerado que o mesmo está em conformidade com o conteúdo pedagógico desenvolvido nas escolas municipais. Portanto, a compra foi feita por solicitação da equipe da então secretária da Educação, que deu parecer favorável ao uso do material.”, finaliza.

Davison Gimenes foi diretor de licitação da Educação e Daniel Freitas é o assessor da prefeita

PRIMEIRO MINISTRO

Nos bastidores do poder municipal o assessor direto da prefeita Daniel Freitas é chamado de “primeiro ministro”. Ele não fala com jornalistas. É discreto para o externo do Gabinete. Está quase sempre colado nas decisões de Suéllen.

Considerado ríspido com comandados na Educação, Daniel tem “batido de frente” também em outras àreas. No Jurídico, por exemplo, tenta emplacar troca de diretor, em confronto com pedido do coletivo de procuradores para instituição em lei de hierarquia orgânica iindependentemente do chefe de plantão. A escolha do Procurador Geral por eleição entre os procuradores também está na lista.

Daniel disse, em convocação da Comissão de Fiscalização lá atrás que “prepara o texto (despacho) das decisões a serem assinadas pela prefeita.

Mas exerce bem além da função de “redator”. Opina, posiciona vetos, insurge e, conforme citado por mais de um setor, faz ingerência para “impor sua posição”. Na mesma reunião de fiscalização, afirmou que não atuou no caso dos kits. Hoje, Kobayashi e Cavenaghi o desmentiram.

A declaração de Kobayashi nesta fase – quando a compra de 16 imóveis da Educação foi por ela consentida – foi recebida como “bomba” por parte da oposição. Um grupo considerou que a declaração aponta a compra milionária e sem licitação para o Gabinete.

Ligados ao governo, de outro lado, consideraram que a ex-secretária se expôs mais, ao parecer revanchismo tardio apontar quem mandou em decisões da pasta em que era titular (e para pedido e contrato que, dizendo discordar, assinou).

Mas, no efeito político e de apuração de origens e atores, a aparição de Kobayashi abriu oportunidade para que rastros, conversas e ações cantadas em palavras possam ser apuradas em relação ao primeiro ministro e o centro do poder.

Daniel sofreu reclamação, por Eduardo Borgo, por atuar home office, por um tempo, é advogado, teve empresa de comércio de livros por volta de 2005, mas, até aqui, surge como citado em várias frentes como aquele com poder junto à chefe de plantão.

5 comentários em “Ex-secretária diz que foi contra Palavra Cantada e alega interferência do Gabinete na compra de R$ 5,3 milhões”

  1. se existe duas versões dentro de um mesmo assunto, que se pesa documentos comprobatorios das partes, direito de amplo discursos das partes, e frente a frente para conclusões finais.

  2. Esse governo da prefeita Suellem Rosim muito se assemelha ao último governo Izzo Filho, muitas pessoas de fora de Bauru e desconhecidas mandando e desmandando no dinheiro público

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