Fogo cruzado: Suéllen dispara contra vereadores e inicia CP em ritmo de confronto

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Suéllen Rosim falou pela sua rede sociais à noite

A prefeita Suéllem Rosim foi às redes sociais, na noite da segunda-feira, para abrir a primeira semana de andamento da Comissão Processante (CP) no ataque. A prefeita inicia, efetivamente, o andamento do processo afirmando que vai para o confronto. Entre assessores e aliados, a postura da prefeita não é consenso. Alguns consideraram, ainda sob o “fogo cruzado” da segunda-feira, após o pronunciamento da prefeita pela sua rede social, que a tática vai alimentar mais labaredas do que surtir resultado.

A reação da prefeita logo no primeiro dia útil após o início da tramitação do prazo de 90 dias da Comissão Processante tem mais de um ingrediente, em si. Um é o “estilo” da prefeita. Ela não parece disposta a ouvir críticas mais duras sem reagir. Para opositores, a estratégia parece “vitimização”. Para aliados, uma parte, a “prefeita não deve baixar a cabeça”. Mas para outros, o embate não é o caminho.

Em sua fala pela rede social, Suéllen disse que precisava prestar esclarecimentos. Negou irregularidades nas compras de 16 imóveis para a Educação, realizadas no final de 2021, e atribuiu as semanas sob investigação como “perseguição política”. Em sua defesa, a prefeita abordou, de passagem, que realizou compras regulares e que “alguns prédios foram desapropriados porque a prefeitura pagava aluguel”. Ela não entrou em detalhes sobre as escolhas, os prédios.

A prefeita também incluiu em sua fala ao público, por vídeo, afirmação de que lhe atribuíram fatos inverídicos como “viagem à Suíça com mala de dinheiro” e que “comprou casa de luxo em condomínio”. Contudo, estas citações não estão presentes no relatório da denúncia que julga as compras da Educação. As citações ditas por Suéllen estariam espalhadas pelas redes sociais. Já o relatório da CP elenca documentos, depoimentos e apontamentos de irregularidades nas aquisições dos 16 imóveis.

Para a prefeita, a Processante é um “ato político de uma parte que quer cassar meu mandato”. Suéllen ataca que há interesses pessoais no caso, citando “vereadora que sonha em ser prefeita e me persegue desde o início”. A fala vem no mesmo dia em que a presidente da CEI, Chiara Ranieri, fez duras críticas à prefeita, na sessão legislativa. Ela também volta a mencionar “vereador que quer ser candidato a deputado”. A frase vai na direção de Eduardo Borgo, relator da CEI contra a prefeita.

Na fala pela rede social batizada de “esclarecimentos” a prefeita também não poupou o vereador Pastor Bira. O voto do parlamentar foi decisivo para reverter o placar e aprovar a Processante contra Rosim (8 a 7). “Misteriosamente o Pastor Bira mudou o voto. Temos sete vereadores coerentes que buscam o melhor pela cidade e um ato político de uma parte que quer me cassar”, atacou.

FOGO CRUZADO

Ainda na noite da segunda-feira aliados tentavam “acalmar” os ânimos entre vereadores. Há descontentes por mais de uma razão e natureza. E as reações serão inevitáveis.

Mas Suéllen disse que vai para o confronto. “Se precisar ir à Justiça de novo eu o farei”. “É uma política suja a qual não faço parte”. “Não vou admitir mais ataques pessoais a mim e minha família”. “Querem massacrar a base de mentiras”, emendou a prefeita, no vídeo.

A opção pelo discurso de confronto, neste momento, logo no início da Comissão Processante, pode ser uma “medição de termômetro por parte da prefeita” junto à opinião pública.

Mas a fala, de outro lado, também parece, em certa dose, uma manifestação pela linha do “eu tinha que me posicionar diante do meu público”. Outro fator é que o público que interagiu com a prefeita, em comentários pelo Facebook, é majoritariamente de não moradores de Bauru. A rede de Suéllen tem milhares de cidadãos de outras cidades.

A questão será saber se esta opção de “falar, ou se posicionar diante de seu público” terá o efeito desejado e no contexto. E mais: se este efeito é positivo para a prefeita diante “dos demais públicos”.  Ou se esta sua reação somente colocará ainda mais gravetos nesta fogueira política.

Além disso, a prefeita terá de absorver, entre outros elementos, se “seu público” é capaz de fazer eco entre quem vota (os integrantes da CP e o plenário do Legislativo).

SESSÃO DA SEGUNDA

O alarme contra a fome, a escalada de famílias inteiras sem ter o que comer, inclusive dentro das escolas (onde a merenda escolar é o único prato do dia), fez reações na sessão de segunda-feira.

Além de todos os números já divulgados, e dos apelos por uma reação emergencial do governo municipal (sobretudo da Sebes e Educação), a situação famélica de milhares de bauruenses se propagou além do Legislativo.

Entre os aliados da prefeita, alguns defendem uma reação. A inércia da Secretaria do Bem-Estar Social (que sequer “conversou” com a Educação para identificar quem são as crianças que repetem 4, 5 vezes a merende) mereceu várias reações em plenário.

Mas não foi só isso. Também vieram recados em relação ao possível surgimento de “informação” nova no andamento da CP (sobre as compras da Educação) e, ainda, apontamento de que não seria tolerado compras consideradas desnecessárias, ou “absurdas” conforme alguns vereadores, novamente neste ano.

Foi citado, por exemplo, processo para eventual compra de ar condicionado em escala, enquanto a maior parte das escolas tem instalação elétrica precária e problemas antigos de estrutura (como telhados), como prioridades a serem “consertadas” “antes da gastança sem critério”, como critica a oposição.

Nesta terça-feira, a Secretaria de Educação entrega itens de informática, junto com a prefeita, no Gabinete, onde o “segundo tempo” dos efeitos do embate político terá nova repercussão.

1 comentário em “Fogo cruzado: Suéllen dispara contra vereadores e inicia CP em ritmo de confronto”

  1. Misturar o pessoal com profissional, essa técnica nem sempre funciona.
    Porém, os envolvidos são os mesmos. Será que a votação final será sobre o sabor da pizza?

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