HC fica aberto apenas por opção política e 10 leitos acessórios serão no Base

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HC tem duas alas prontas para 21 leitos UTI, mas Estado não instala e fila continua crônica, sem internações

HC continua aberto de forma “política” e fila para internações continua

A Secretaria Estadual de Saúde vai manter aberto (de forma política – diga-se – e não operacional) o Hospital das Clínicas (HC) até 31 de dezembro deste 2020. Depois disso, ainda é incerto como o HC funcionaria e se vai valer a afirmação feita em público pelo governador João Dória (PSDB) – em visita a Bauru no dia 8 de outubro passado – de que a unidade continuará com as portas abertas após a pandemia.

A fundação gestora contratada pelo Estado para administrar o Hospital, a Famesp, já havia dado aviso aos funcionários contratados de que a partir da próxima segunda-feira o atendimento seria encerrado. Motivo: o contrato “emergencial” do Estado vence no domingo.

E, até esta sexta (27/11), o governo estadual não tinha definida a pendência. Nesta sexta-feira, o promotor público de Saúde, Enilson Komono, voltou a reagir, com outra medida ao Judiciário para solicitar que Famesp, Estado e Prefeitura definam o plano de atendimento no HC, em 48 horas, sob pena de bloqueio de R$ 26,5 milhões ainda da multa em ação já em execução pelo não oferecimento de leitos de internação, há anos.

A juíza da Vara da Fazenda Pública, Ana Lúcia Graça Aiello, determinou que as partes apresentem suas ações de gestão até segunda-feira. Mas, ainda hoje, o Estado informou que vai manter o HC aberto.

Entretanto, o HC “estica” sua abertura provisória até o final de dezembro. E, como informado pelo CONTRAPONTO ainda em setembro passado, com apenas 20 leitos de enfermaria para Covid (a metade do atendimento desde o início da operação do hospital).

Ou seja, na prática, o HC estava com demanda reduzida de pacientes de enfermaria. Mesmo o percentual de utilização de leitos UTI Covid ainda se mantém em patamar em torno de 60, 65%, há vários dias.

Mas, o problema não é este!

  • O Interior vai passar pelo “repique” de aumento de casos Covid, nas próximas semanas, como já acontece na Capital e outros grandes Centros. Então, a desmobilização de leitos vai exigir reestruturação, em pouco tempo.
  • O estado crônico de não assistência está em cirurgias, exames e, sobretudo, FALTA DE LEITOS DE INTERNAÇÃO PARA OUTRAS DOENÇAS. Apesar do represamento significativo de casos, em razão da pandemia, o Estado não ampliou o atendimento para outras doenças (que não seja Covid). A fila se mantém acima de 20 pedidos de internação há várias semanas.

Em manifestação pela execução financeira contra Estado e Município, exatamente pela crônica falta de leitos hospitalares em Bauru, o promotor Enilson Komono elencou a enorme lista de pacientes que aguardam vagas no sistema estadual.

DISCURSO E PRÁTICA

A questão é que, conforme mostrado pelo CONTRAPONTO, em 8 de outubro, enquanto o governador Dória discursava para câmeras e microfones em Bauru prometia a permanência do HC após a pandemia, os executivos do alto escalão da Advocacia do Estado e da Secretaria Estadual da Saúde posicionavam, em audiência judicial, que “não há necessidade de abertura de leitos de internação em Bauru”.

Os executivos do Estado se NEGARAM a apresentar plano de abertura de leitos adicionais na cidade, na presença da juíza Ana Lúcia e do promotor Komono.

PLANO B

E o que, afinal, o governo do Estado vai informar, em 48h, ao Judiciário, neste momento?

A Secretaria Estadual da Saúde vai informar que abrirá 10 leitos de enfermaria no Hospital de Base, para atender como retaguarda a demanda para pacientes por outras doenças. A apuração é do CONTRAPONTO.

O HC continuará, provisório, com 20 leitos de enfermaria. Falta o Município informar se vai equipar as 10 UTIS que prometeu, em audiência judicial, com pagamento de diária de R$ 1.600,00 por leito.

A Famesp continua assumindo a mão de obra para o HC. Para os leitos UTI na unidade instalada no campus da USP não há definição de como ficará.

REPIQUE COVID

Enquanto a fila por ausência de leitos para internação massacra famílias, há anos, o Interior “aguarda” o “repique” do aumento de novos casos Covid-19. Não será a dita “segunda onda”.

No Brasil, de fato, será a “emenda” do “fim” da primeira fase da doença com a evolução de casos, em progressão, em razão da irresponsabilidade dos cidadãos!

AGLOMERAÇÃO, NEGACIONISMO E ABANDONO DAS MEDIDAS DE HIGIENE são os fatores fundamentais para esse ciclo.

Ouvimos dois especialistas, um do governo municipal (da área de Saúde), e outro de universidade. Não há necessidade de expor os nomes. Valiosa é a contribuição desses profissionais. Em resumo, eles disseram:

“AS PESSOAS RETOMARAM OS CONTATOS PESSOAIS E BAIXARAM A GUARDA EM RELAÇÃO A MANTER O DISTANCIAMENTO SOCIAL E MEDIDAS DE HIGIENE. ALÉM DISSO, IRRESPONSÁVEIS AINDA RETOMARAM, DE FORMA FRENÉTICA, OS ENCONTROS EM MASSA, EM VÁRIAS FRENTES. O VÍRUS VAI APRESENTAR A CONTA EM FORMA DE NOVO AUMENTO SIGNIFICATIVO DE CASOS, COM NOVA LOTAÇÃO DE HOSPITAIS”.

O que sobrará para apontar, é se a lotação em busca de vagas hospitalares para Covid vai se dar em algumas semanas, ou no início do próximo ano? Isso dependerá, da “geografia” de crescimento da doença, no esperado avanço do contágio dos grandes Centros (capitais) em direção ao Interior.

 

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