MISÉRIA E FURTO: tudo o que é de ferro é levado, nas casas, nas ruas e prédios públicos

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Todo produto que tem como componente o ferro é alvo mais visado de furtos em Bauru. Para sobreviver à fome, de um lado, ou “alimentar” o vício com drogas, em outra parte dos casos, o material é o preferido nas ruas, casas e instalações públicas. Entre as razões da opção pelo furto de materiais em ferro está o aumento do valor pago no mercado paralelo, além da facilidade encontrada na receptação por estabelecimentos irregulares.

O flagrante a seguir, registrado por câmera de estabelecimento em uma quadra da movimentada Avenida Duque de Caxias, em plena manhã de sábado (16/05),  é um dos inúmeros casos diários. A maioria das ocorrências não chega à autoridade policial.

 

A questão é que esse tipo de ocorrência está se tornando cada vez mais comum.  E as razões envolvem questões sociais (miséria e vício). A tentativa de sobrevivência – com a escalada da miséria com maior ênfase na pandemia – é o fator preponderante. O furto falimentar está presente nas ruas, com mais pessoas sem emprego, e vivendo sob condições cada vez mais precária.

De outro lado, a “concentração” do furto em objetos que tem como matéria prima o ferro se explica, em parte, pela valorização do material. O empresário P H (citamos apenas suas iniciais) aponta que “enquanto materiais recicláveis, como o plástico e o papelão, rendem centavos, o quilo do ferro velho está bem valorizado. Essas pessoas conseguem vender a até um pouco acima de R$ 1,00 o quilo do material. Por mais duro que possa ser, é uma opção de mercado, do furto, o aumento dos casos”, aponta.

E, nessa onda, tudo o que tem como componente o ferro é mais visado. “Não escapa nada. Grade, barra de ferro, chapa. E se o material estiver só encaixado, sem parafuso ou fixado, é furto na certa”, completa.

De fato, o apontamento feito pelo empresário, ao CONTRAPONTO, se faz presente em todo canto. Na imagem a seguir, a grade que protege a canaleta da água pluvial, em uma calçada no Jardim Estoril, foi levada.

 

Instalações, ou equipamentos públicos, têm sido alvos cada vez mais frequentes. O secretário municipal de Obras, Leandro Joaquim, comentou que não “vence instalar e repor materiais que contêm ferro”. “Nas bocas de lobo a Prefeitura utiliza uma barra de ferro para alagar e proteger contra entupimento. Mas é tudo furtado. O que se observa, conversando com moradores, é que o aumento da miséria faz com que mais pessoas busquem infelizmente este caminho para sobreviver. E são locais onde não tem como fazer sistema de proteção”, conta.

Na última sessão do Legislativo, o vereador Júnior Rodrigues chamou a atenção para esta realidade. Ele apresentou dados sobre o aumento significativo de registros de furtos envolvendo imóveis, ou instalações públicas municipais. Conforme os registros que ele apurou, a abrangência envolve mais “alvos”. “Não term fiação, ferro, lâmpada ou objeto que possa ser “desovado” em ferro velho que não seja alvo”.

Conforme os dados obtidos junto ao Município, divulgados durante a sessão ao vivo pelo parlamentar, em 2020 foram registrados 102 atos de vandalismo contra a Prefeitura, sendo 32 furtos. Mas neste ano, em apenas quatro meses, são 105 vandalismos e 24 furtos. A proporção é muitas vezes maior do que todo o ano passado.

FISCALIZAÇÃO

Na visão do vereador, a ação exige fiscalização dirigida, com foco, da Prefeitura sobre ferros velhos clandestinos. Muitos estariam atuando sem alvará. E seriam caminho para o escoamento irregular de produto de furto, por exemplo.

Os registros, de outro lado, só ganham maior dimensão quando afetam a coletividade. No ano passado, a Prefeitura enfrentou dificuldades em manter a iluminação pública da avenida Nuno de Assis, por exemplo, em operação. Fios instalados ao alcance de pessoas, à margem do rio Bauru, na avenida, foram levados. O cobre sempre teve alto valor no mercado.

Mas o setor público vem enfrentando casos em escolas e, ainda, em setores que afetam serviços permanentes de outra natureza. É o caso da repetição de furtos em instalações do Departamento de Água e Esgoto (DAE).

 

 

Conforme a assessoria de imprensa do DAE, as ocorrências de furtos são sequenciais. E o pior. Afetam diariamente o abastecimento de água da população, em plena fase de racionamento (rodízio no fornecimento para os bairros atendidos pelo sistema Batalha – a cada 24 h).

O crescimento de casos chegou a tal ponto que, apenas no DAE, já foram registrados 11 casos de furtos em instalações (a maioria em poços profundos) nos quatro primeiros meses deste ano, contra apenas 7 em todo o ano de 2020.

No final de semana, a autarquia informou que o poço Val de Palmas foi alvo de novo furto na tarde do domingo (16/05) – fotos divulgação/DAE.

O poço, que fora furtado na madrugada de quinta para sexta-feira e reparado no mesmo dia, foi novamente alvo de vândalos. A caixa de energia foi danificada e os cabos levados pelos criminosos.

Já no último sábado (15/05), o DAE comunicou uma tentativa de furto no poço Jardim América II, por volta das 23h. Na ocasião porém, a ação foi denunciada pelos moradores, que contataram o DAE e a Polícia Militar. A PM conseguiu realizar a prisão em flagrante.

3 comentários em “MISÉRIA E FURTO: tudo o que é de ferro é levado, nas casas, nas ruas e prédios públicos”

  1. Vergonha, roubo é roubo, falta completa de caráter !
    A pandemia virou desculpa, mas na verdade vem ocorrendo há décadas com escalada agora em função dos preços dos materiais de ferro e cobre terem aumentado.
    Se vigiássemos os receptadores reduziríamos reduziríamos muito a incidência.

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