Motos respondem por 75% dos acidentes com vítimas no trânsito urbano no primeiro semestre

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É pouco provável que você não tenha utilizado o serviço de entrega por moto (delivery) desde o início da pandemia. E quase impossível que não tenha tido a companhia de um veículo com duas rodas no trânsito. O fato é que o aumento vertiginoso da presença das motos nas ruas, sobretudo durante a pandemia, também se refletiu em crescimento significativo de acidentes com a presença delas na ocorrência. Conforme dados apresentados pelo setor da Emdurb que analisa as estatísticas de trânsito de Bauru, as motos estiveram presentes em 75,23% do total de acidentes com vítimas no primeiro semestre deste ano.

Os acidentes foram em maior número com motos e o total de vítimas fatais também, sobretudo entre jovens. Aliás, mesmo com maior restrição de mobilidade na pandemia, as mortes de trânsito com a presença ou uso de moto quase se igualou a 2019 – quando o trânsito fluiu sem restrições. Foram 9 registros de óbitos de janeiro a junho de 2021, contra 10 no mesmo período de 2019. No ano passado foram 7 – mas com a pandemia tendo iniciado o período de restrições para a presença de moradores nas ruas a partir de 20 de março.

O fato é que é diretamente proporcional a relação entre maior volume de veículos de duas rodas na cidade e a escalada de acidentes. Pior que isso. Neste ano, foram 533 acidentes com vítimas, sendo 401 deles com moto (75,23%), contra o total de 587 registros em 2019 (antes da pandemia) – sendo 328 com a presença de motos nas ocorrências (55,87%).

Como em muitos dos casos o uso da moto está relacionado a presença de passageiro, o total de vítimas sobe. Foram 467 vítimas com algum tipo de ferimento nos primeiros seis meses deste ano, contra 382 casos em 2019. Veja que o isolamento social mais rígido em 2020 gerou número total de acidentes menor: 406.

Outro indicador muito ruim é que, em 2021, das 9 vítimas fatais – com o uso ou presença de moto envolvida em acidente de trânsito no primeiro semestre deste ano  – 6 foram de condutores com as mãos no guidão, sendo 4 com idade entre 18 a 30 anos.

Para o gerente de geoprocessamento e estatísticas de trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto, os registros confirmam as correspondências. “Os serviços de delivery dispararam na pandemia e com eles naturalmente o número de pessoas que passaram a trabalhar com moto. A maioria infelizmente é de jovens, entre as vítimas fatais”, aborda.

A maior concentração de acidentes, com ou sem vítima, está em horários de pico, como das 11h às 14h. “As entregas de alimentação por delivery estão acumuladas em espaço menor de tempo. E esses trabalhadores ficam sujeitos a pressão de andarem mais rápido. E isso se reflete nas estatísticas, com mais acidentes em períodos como o almoço. Isso também tem volume significativo no início da noite, com retomada de pedidos de entrega e a redução da visibilidade nas ruas como outro fator preocupante”, posiciona.

 

A CURVA

Mas não são somente as estatísticas envolvendo o fluxo e o volume de motos nas ruas que preocupa o setor de estatísticas de trânsito de Bauru. Algumas ruas têm características próprias que merecem análise específica.

É o caso da quadra 2 da Rua Halim Aidar, na Vila Pacífico. O morador na região, O profissional de TV, Marcelo Machado, levou à Ouvidoria do Município elementos que pedem a investigação das causas dos repetidos acidentes no endereço.

Para demonstrar que a combinação de descida em velocidade acima da sinalização permitida no local com a curva acentuada são dois fatores comuns a inúmeros acidentes na quadra 2 da Rua Halim Aidar, o bauruense juntou documentação com registro de imagens.

No vídeo acima, que integra o material e foi cedido ao CONTRAPONTO, é demonstrado que os veículos – inclusive motos – não conseguem manter o domínio da direção no trecho. A gerência de estatísticas de trânsito da Emdurb informou que vai levantar histórico deste ponto e avaliar as circunstâncias de sinalização e condições de tráfego no ponto identificado na reclamação trazida pelo munícipe.

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