COLUNA CANDEEIRO 25092020 NELSON ITABERÁ

N. 381 Reunião expõe falhas do Estado na gestão da fila de espera por cirurgias; Municípios têm acesso restrito a dados e pacientes são retirados da lista

N. 381 Reunião expõe falhas do Estado na gestão da fila de espera por cirurgias; Municípios têm acesso restrito a dados e pacientes são retirados da lista

 

FALHA DO ESTADO

Reunião da Comissão de Saúde do Legislativo na tarde desta quarta-feira (09/11) expôs falhas de gestão primárias (e absurdas) na fila de pacientes que aguardam, há anos, por cirurgias eletivas em Bauru e região.

O presidente da Comissão, Eduardo Borgo, tevfe, – como todos os presentes – dificuldades para assimilar o emaranhado de desencontros e obstáculos na “gestão da fila” pela Divisão Regional de Saúde (DRS-6). O que era reclamação, antiga, de que pacientes não encontram resposta para a longa espera pelo atendimento SUS, revelou que os municípios não têm acesso ao cadastro de pacientes das unidades.

Este é apenas um obstáculo. Ruído de informação, desencontros e ausência de ferramentas (simples) de tecnologia de informação fazem com que o Estado detenha o cadastro da rede, mas sem permitir troca de dados, mesmo por consultas ao sistema, sobre os pacientes.

“CELAS SEPARADAS”   

A Divisão Regional de Saúde tem acesso, claro, total à fila, com a inclusão de pedidos de cirurgias sendo realizada pelos municípios e unidades hospitalares, como o Base, por exemplo. O problema, segundo a diretora regional que participou da reunião por vídeo, Fabíola Yamamoto, é que Bauru insere os dados dos pacientes que recepciona em sua rede, mas não tem como pesquisar, ou consultar os demais. O Hospital de Base também tem acesso somente aos casos que a unidade, por senha própria, inclui no sistema.

Cada um, na verdade, só tem acesso “ao seu cômodo” na casa.

De outro lado, pacientes, aos montes, ainda estão sendo retirados da fila. O caso de Maice do Carmo Ferreira, moradora do bairro Nobuji Nagasawa, chamou a atenção. Há 3 anos esperando chamada para cirurgia de retirada de pedra da vesícula, através de entrada de seu caso junto a Unidade de Saúde do Mary Dota, ela só soube que seu nome estava retirado da lista por apuração pelo vereador Lokadora.

TELEFONE SEM FIO

Conforme a moradora, há 3 anos uma dor forte no estômago a levou até a unidade no bairro. O médico diagnosticou a necessidade de cirurgia após exame. Mas isso só foi possível porque Maice pagou consulta com gastro particular e levou o diagnóstico ao atendimento municipal.

Só então ela foi informada, na unidade do Mary Dota, de que a cirurgia havia sido dada entrada na central de vagas do Estado. “As dores ficaram muito forte e não tenho como pagar a cirurgia. Falei com o vereador Lokadora e ele foi atrás do meu caso para ver o que estava ocorrendo, mesmo eu sabendo que a fila é grande. Ele me disse que meu nome foi retirado da fila. E agora?”, apela a moradora.

A DRS-6 teve dificuldade para explicar o controle do sistema. O mesmo vale para tentar explicar por que o pedido de Maice saiu da fila de espera por cirurgia. Uma hipótese é de que o call center do Estado faz ligação por um número que entra nas chamadas de “spam”. E muitas pessoas não atendem este tipo de ligação.

Ocorre que após 3 ligações sem atender, a princípio, o nome seria retirado da lista.

FILA ANTIGA 

Sem acesso ao sistema para acompanhar e trocar supervisão com o Estado, na gestão compartilhada da fila, a confusão se instala a partir de uma fila que já é antiga. A secretária de Saúde, Alana Trabulsi, contou que a atualização da lista está sendo feita ainda para os casos registrados em 2014.

O acúmulo por pedidos junto ao Estado, tanto de exames especializados quanto por cirurgias, é muito antigo. O caso já foi levado ao Ministério Público e gerou inquérito civil ainda em 1008, lembrou a conselheira de Saúde, Rose Lopes. “Era ainda pior. Mas desse jeito também não funciona. Porque a rede municipal é grande e sem acesso fica impossível saber a situação e monitorar, saber se tem exame pendente, encaminhamento. É uma confusão só”, reclama.

O Município adota ligação de número fixo e não tem o mesmo problema. E, de seu lado, o Estado alega que adotou, há poucos meses, mutirão com contratação de cirurgias com particulares para reduzir a demanda reprimida. 

MAIS DE 1.309

Mas as falhas elencadas tornam os dados sem depuração real. O Município apresentou na reunião que 1.309 pacientes de Bauru aguardam vaga, neste momento, no tal mutirão anunciado pelo governador Rodrigo Garcia (em plena campanha eleitoral, claro). 

Mas, a partir da reunião pública, o que foi demonstrado é que o gargalo vai muito além do aumento da fila e da pressão com entrada de novos pacientes, sobretudo após a pandemia. Somente agora, segundo a DRS-6, está sendo discutido o ajuste do sistema e compartilhamento….

Além disso, as coordenadorias de serviços de Saúde do Estado também funcionariam em “ilhas”. Conforme Fabíola Yamamoto, a coordenação de serviços de hospitais é uma, mas a gestão ligada a Organizações Sociais (OS) é outra e o controle regional, com a Central de Vagas, tem outro comando.

O “x” não é ter vários coordenadores. É o “isolamento” de gestão e estratégia e ação entre eles…. Eis mais um pepino para o novo governador Tarcísio Freitas resolver. E com o agravante da “cultura” com os hábitos ruins acumulados em mais de 20 anos desse “jeitão tucano de levar a saúde pública no Estado de São Paulo… 

   O Município apresentou alguns quadros com informações. Mas a revelação de falhas na gestão e no “descontrole” efetivo sobre o andamento e casos é tal que ficamos com uma planilha da Prefeitura até outubro:

    

DENÚNCIA DAS VIAGENS 

A Promotoria Criminal denunciou, em ação de peculato, o ex-vereador Fábio Manfrinato e o ex-presidente da Cohab Bauru, Gasparini Júnior, no caso que apurou a realização de viagens a Brasília com custeio, conforme a denúncia, por Gasparini.

O ex-presidente havia negado a possibilidade de acordo previsto neste tipo de caso, onde poderia ser submetido a penalidades mais brandas, incluindo pagamento de multa, mas desde que confessasse. Assim como divulgamos em relação a Gasparini, Manfrinato também adotou o mesmo caminho, rejeitando a denúncia.

O CONTRAPONTO revelou, na época, que Fábio Manfrinato assumiu que viajou para a capital federal, com mediação das despesas através do Gabinete. Mas o ex-prefeito Gazzetta negou esta triangulação. O MP apurou, então, que passagens teriam sido adquiridas via Gasparini Jr – que está denunciado nos casos de desvios no comando da companhia.

EFEITOS DO CASO 

A propositura da ação pelo MP não é surpresa. É encaminhamento natural, diante da denúncia. Também esperadas as negativas das partes em aceitar o acordo (persecução penal). A confissão, evidente, implicaria, para ambos, em ver a confissão produzindo efeitos em outra esfera. Há ação de improbidade em discussão.

Se confessasse, Manfrinato anteciparia, a rigor, sua condição de possível condenado por improbidade. Diante da encruzilhada, a defesa optou por rejeitar acordo e seguir o processo. Ambos consideram a denúncia descabida.

VIADUTO DA CRUZEIRO

A pista para a liberação do Viaduto da Cruzeiro do Sul, sobre a Rondon, está quase pronto. A intenção era liberar antes das urnas, mas não deu …. Agora vai…

De outro lado, continuam as dúvidas sobre mudanças na continuidade de obras da marginal, sobretudo na região do Araruna e Parque Vista Alegre.

Ah.. a Nações Norte começou a receber lâmpadas LED. E agora, em poucos dias, o bauruense terá então condições de comparar se o projeto, espaçamento e luminárias instaladas são adequados para o local. A chegada de lâmpadas LED na avenida Nuno de Assis não agradou a uma parte doas cidadãos. …

 

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