Pico da dengue pode ‘eclodir’ no mês de apuração da crise nas UPAs

O ciclo da dengue apresenta seu pico senanas à frente, por falta de controle, limpeza dos focos (pelas pessoas)

 

O governo municipal está preocupado com a instalação de mais uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na àrea da Saúde não somente sob o fator do desgaste político. A votação do pedido de inquérito está prevista para a próxima segunda-feira – com as unidades lotadas de mães com filhos no colo em razão do surto de virose.

Contudo, a leitura política do governo terá de considerar que, associado ao surto que agora afeta crianças, a “eclosão” da dengue tende a estar no “pico” entre o meio e final de abril, no máximo início de maio.

Ou seja, ainda que eventual avaliação desavisada não considere os fatos, a administração Suéllen leva em conta o custo político e de ‘temperatura’ popular com o aumento significativo de doentes considerando o natural ciclo das semanas epidemiológicas. Além do que em cenário lotação de unidades e aumento de mato alto e criadouros de mosquito após chuvas intensas a conta sempre fica com o gestor (embora, no caso da dengue, hábitos irregularea do povo e ausência de fiscalização sejam combinação negativa exponencial).

O diagrama técnico que identifica o mapa da dengue no País (acima) indica que a progressão dos registros notificados da doença avança nas próximas semanas.

Assim, para além da fiscalização e cobrança de respostas do governo para a fase epidemiológica, a Secretaria de Saúde sabe o que está prester a acontecer em abril e maio. Ela tem os indicadores e conhece o ciclo agudo de casos em epidemias. É só olhar o gráfico de 2019.

Média diária de atendimentos na UPA Bela Vista foi 39% maior em fevereiro deste ano contra mesmo més em 2022

A crise de superlotação desta fase tem como ingredientes o somatório de virose em crianças, no mesmo instante do início do ano na Educação há 1 mês, e a deficiência no número de servidores frente a alta demanda.

Na UPA Bela Vista, que responde quase 40% do total de atendimentos em Pronto Atendimento, a média diária de pacientes foi a 600 em fevereiro deste 2023, contra 430 no mesmo mês do ano passado. Ou seja: 39,1% mais.

E a lotação bem acima da média vai se confirmar no fechamento de março. E, de outro lado, observando o mapa da dengue e a situação atual na cidade, temos que entre a 12. semana e a 18. semana a dengue é quem vai “apertar mais”. Será pior o que já é ruim, enfatizam técnicos ouvidos pelo CONTRAPONTO.

REUNIÃO NESTA SEXTA

A crise de lotação nas UPAs fez, no meio político, vereadores marcarem para esta sexta-feira, às 14 horas, reunião pública, para discutir medidas emergenciais pela Prefeitura.

Uma corrente defende contratação emergencial de profissionais para reduzir o efeitos do surto de virose em crianças. O mapa da dengue entra neste contexto.

O governo está agindo na contratação de servidores, mas por meio de concurso já homologado. Faltam insumos, medicamentos e enfermeiros, como levantou por escrito o vereador Marcelo Afonso.

A Saúde disparou a convocação de 11 enfermeiros e 5 técnicos de enfermagem. Não resolve, mas despressuriza. 4 iriam para a UPA Bela Vista, dois para Geisel, outros 2 para Mary Dota e ao menos 1 para Ipiranga. A distribuição de técnicos segue a mesma lógica.

No Jurídico do Município a ideia de decreto de emergência é controversa em razão de existir contratação habilitada, em andamento. Mas isso não é definitivo.

A prefeita, de sua parte, vai a suas redes sociais para se posicionar. Ainda enquanto a redação elaborava as informações, hoje, Suéllen publicava em seu instagram imagens de mobiliriário adquiridos neste ano. “Temos problemas? Sim”, afirmou. E ressaltou investimentos de R$ 6 milhões em cadeiras, mesas e outros móveis. Ainda hoje, a UPA Bela Vista começou a receber cadeiras novas.

A antecipação da discussão da crise para esta sexta, em boa dose, também permite à prefeita ir até os vereadores para falar – o que ela tem feito pouco, mas pode não deixar passar tendo em vista uma CEI na pauta de segunda-feira.

 

 

 

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