
Desde que o País fixou fundo partidário e eleitoral com cifras bilionárias o custeio das campanhas passou também a ser “medido” pelo volume de dinheiro público que cada candidato recebe. Empresas passaram a ter limitação para financiar diretamente candidatos. Mas o sistema eleitoral também passou a custear caciques (vários inclusive condenados – que ficam no controle de partidos porque estão impedidos de serem candidatos.). Erros que enfraquecem o sistema democrático e mantêm barganhas.
O financiamento da democracia encontra críticas. O Congresso afrouxou regras de prestações de contas (beneficiando inclusive os parlamentares) e despesas controversas passaram a ser aceitas.
Nesse contexto, o eleitor também pode aferir quanto cada candidato recebeu e como foi sua performance com o dinheiro público recebido. É apenas um indicador a mais. Porque vários candidatos vieram para fazer alavanca para nomes de fora, outros vieram para apresentar nome (preparando para eleição municipal).
Gostemos ou não, faz parte do jogo democrático. De qualquer forma, o acesso aos gastos e número de votos recebidos é informação para verificar candidaturas alavanca, ver como se ocupa espaço com novos nomes, a influência com caciques para obter repasses eleitorais mais robustos e ainda a densidade nas urnas.
Claro que muitos também receberam doações particulares polpudas. Elas não estão acima.
O quadro traz a planilha com candidatos natos- que moram e atuam em Bauru.
Bauru não elegeu ninguém. Nomes de fora receberam dezenas de milhares de votos. A eleição com candidatura distrital, por região, é uma alternativa para garantir cadeiras por região.
Três candidatos sem base eleitoral em Bauru tiveram votação expressiva. É comum isso ocorrer. O detalhe é que vários são de nomes sem vínculo com a cidade. Lucas Pavanato (PL) recebeu 21.912 votos; Erika Hilton (PSOL), 11.926; e Sâmia Bomfim (PSOL), 4.645. Juntos, os três somaram 38.483 votos na cidade. Desses, Hilton e Sâmia tem atuação temática, causas com capilaridade estadual.
O número equivale a mais da metade dos 69.900 eleitores que não compareceram às urnas em Bauru.