Sete bauruenses morrem sem conseguir UTI Covid

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O governo do Estado tem espaço para 21 vagas de internação no oitavo andar do HC, há anos, sem uso

A retórica utilizada pelo governo do Estado para determinar restrições durante a pandemia cai por terra! E, infelizmente, ao preço de atestados de óbito. 7 bauruenses perderam a vida à espera de vagas de UTI nos últimos dias. Eles foram atendidos nas condições do Pronto Socorro (PS) e Posto Covid da Prefeitura de Bauru. Tiveram piora no controle da doença, foram intubados, mas não resistiram.

Nesta terça-feira, um bauruense com 35 anos, sem comorbidade (sem outros problemas de saúde) faleceu enquanto aguardava internação para Covid. Conforme a prefeitura, ele foi intubado, recebeu os atendimentos previstos para as condições das instalações do Posto Covid (ventilação mecânica, monitoramento das condições vitais, medicação).

No boletim Covid de segunda-feira, a Secretaria Municipal de Saúde informou que 3 homens, com idade entre 69 e 80 anos, vieram a óbito entre os dias 27 e 28 de fevereiro. Eles também aguardavam UTI. No mesmo informe oficial constaram  as mortes de 3 mulheres, entre os primeiros dias de março e 1 caso no dia 8/3. Elas tinham entre 37 e 47 anos.  Todos os casos foram atendimentos sem internação pelo Estado.  

No total, o governo divulgou 19 mortes Covid, nos últimos dias.

HISTÓRICO

Desde 20 de março do ano passado, quando a Prefeitura de Bauru publicou o primeiro decreto em razão do coronavírus o mantra das autoridades (municipais e do Estado) foi: restringir a circulação de pessoas para dar tempo de preparar a rede hospitalar e evitar o colapso.

Os dados são claros: o hospital público com tratamento referência para Covid na região (Hospital Estadual) está no chamado colapso técnico há semanas. Há pelo menos 7 dias, a unidade conta com mais pacientes em estado grave por Covid-19 em atendimento do que as vagas ofertadas (50 UTIs).

Este é o pior quadro desde o início da pandemia. Nem no “pico” da transmissão da doença a situação foi assim. O HE também chegou a permanecer com 56 UTIs Covid por meses. Mas, desde o final do ano, o governo do Estado mantém as mesmas 50 UTIs para coronavírus na unidade.

O quadro também é dramático na região. O boletim oficial diário emitido pelo próprio governo aponta, de forma seguida, mais de 100% de ocupação de UTIs Covid há dias. Não há vagas de UTI em Botucatu, Avaré, Lins, Promissão, Jaú… Apesar disso, nessas cidades, o governo estadual ampliou UTIs, nas últimas semanas. Em Bauru, nada!

Um parentese, para registro. No dia 2 de fevereiro de 2021, quando a prefeita Suéllen Rosim (Patriota) iniciou o “confronto político” com o governo do Estado e não cumpriu o decreto de João Doria (PSDB), a regional de Saúde de Bauru (DRS-6) contava com 105 leitos UTI (em Bauru, Jaú, Promissão, Lins e Botucatu). Ontem, o boletim informou 176 vagas na região para casos graves (26 novos leitos, ou 17,33% a mais). E nenhuma vaga adicional em Bauru (no HE).

De outro lado, o governo federal, desde o final do ano, também deixou de custear diárias de internações de Covid, através do Ministério da Saúde. A União deixou de manter os serviços em mais de 3.100 leitos UTI em todo o Estado, desde janeiro. O STF, agora, foi chamado a compelir o governo Bolsonaro a manter os serviços, no pacto federativo (onde a Saúde é responsabilidade dos 3 entes públicos).

INTUBADOS

Na segunda-feira (08/03), 10 pacientes esperavam vagas para UTI no PAC/PS da Prefeitura. Destes, 9 estavam intubados, conforme dados da Secretaria de Saúde.

O aumento da busca por vagas de UTI para casos graves do coronavírus pressiona, também de forma dramática, a necessidade por serviços especializados de saúde para outras doenças. Casos não atendidos relacionados a câncer, infarto, AVC, pioram… desde 2020.

Ontem, 40 pessoas em Bauru aguardavam por uma vaga no sistema hospitalar do Estado.

A pior situação é para pacientes que precisam de serviços de ortopedia (10 estavam na lista de espera ontem). O HE está lotado, as cirurgias eletivas foram canceladas, há muito tempo. O Hospital de Base atende o que pode. Nesta terça-feira, o porteiro Gilberto Segura conseguiu UTI após cair do telhado de sua residência. Ele teve traumatismo craniano, tem fraturas em costelas e consequências na coluna.

O secretário Municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, há duas semanas, em audiência pública com a presença da Direção Regional de Saúde Estadual de Bauru (DRS-6) criticou o atraso na oferta de leitos. O Estado rebate que “a Prefeitura de Bauru não participa do custeio de nenhum leito hospitalar na cidade e a prefeita (Suéllen) ignora as ações de combate à doença”.

Os serviços do PAC/PS têm capacidade para atender 52 pacientes. A estrutura conta com respiradores, tem tomógrafo. Mas o agravamento, rápido, do vírus no organismo das pessoas, nesta fase, e o aumento vertiginoso dos casos graves exigem vagas UTI.

De outro lado, a Prefeitura não realiza mais testagens fora do padrão de atendimento dos pacientes que comparecem nas Unidades de Saúde e não comprou nenhum teste neste governo. Foram 25 mil no ano passado. A testagem em massa é considerada essencial para o controle da doença, junto com o serviço de monitoramento de contactantes (que também não é realizado em Bauru). Sem testagem, o registro oficial de casos positivos também é muitas vezes inferior à realidade.

Nesta terça-feira, a Prefeitura informou que a vacinação chegou a 32.712 bauruenses na primeira dose e 14.738 na segunda. A taxa de mobilidade social está abaixo dos 40%. Insuficiente para ajudar a reduzir a transmissão. E a fiscalização local não tem condições de atender à todas as frentes, nas ruas, e a estrutura é menor do que o pico da pandemia.

O governo estadual anunciou 10 UTIs adicionais para o final de fevereiro. E não cumpriu. Adiou para a segunda quinzena de março. A Famesp cuida das instalações de dispositivos exigidos para Internação Intensiva no oitavo andar do Predião (da USP). Mas equipamentos, como o exaustor, estão com previsão de entrega ainda para os próximos dias.

Um post do infectologista Fernando Monti no Facebook, ex-secretário Municipal de Saúde e professor universitário, sintetiza o quadro atual:

2 comentários em “Sete bauruenses morrem sem conseguir UTI Covid”

  1. A Prefeitura não fez um acordo com o Estado de que bancária os novos leitos de UTI… Sinceramente sei que não seria o ideal, mas eu ocuparia o HC mesmo sem ordem do Estado, transferiria os doentes mais graves para o 8* andar e quero ver algum Juiz determinar a desocupação e a retirada dessas pessoas internadas na UTI.. Neste momento vale mais o direito a vida do que o exercício da propriedade….

  2. DOUGLAS APARECIDO CIRILO

    Enquanto isso, as academias e igrejas estão funcionando. População continua ocupando ônibus para se deslocar para esses locais… a contaminação não vai parar.

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