15.313 imóveis têm aumento na conta do DAE acima de 30%

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Hoje o DAE faz a revisão dos consumos apenas para os casos com aumento de 60% no registro mensal

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) faz revisão presencial dos consumos de água em Bauru em apenas 316 imóveis, de um total de mais de 135.000 unidades com registro (hidrômetro). O relatório, chamado de CRÍTICA DE LEITURA DE CONSUMO, separa verificações apenas para os casos que apresentam elevação a partir de 60% da média dos últimos 12 meses. O DAE discutiu as variáveis de gestão para alteração de rotinas. Para o filtro de 30% no aumento do consumo, 15.313 imóveis são atingidos.

A Diretoria de Serviços da autarquia reconhece que,  se o “corte” de checagem no sistema considerasse relatório com aumento de consumo de pelo menos 45%, o número de imóveis com necessidade de revisão na cobrança passaria para 7.500 casos. Isso equivale a 2.381% a mais do universo de revisão sobre o filtro de 60% utilizado hoje!

Muito além disso, se o filtro for de 30% o número de contas com “aumento de consumo” acima da média ainda dobra (sobre 45%). Conforme a Diretoria de Serviços do DAE, para esse percentual os registros aparecem no relatório em 15.313 casos. Aqui estão, portanto, bauruenses que ou tiveram vazamentos, ou consumiram muito acima do habitual ou, até, houve registro de “ar” na rede em setembro passado.

Os dados mostram a enorme distância entre realidade e gestão operacional de CHECAGEM mensal do DAE sobre contas de consumo com aumento significativo de registro de consumo. A CRÍTICA DE LEITURA é ferramenta essencial de gestão, uma entre tantas que precisam de atualização na autarquia.

Ontem, diante da crise de abastecimento pela longa estiagem deste ano, combinada com elevada média de temperatura, a presidência do DAE anunciou que abriu a revisão no consumo para a população.

É a primeira vez, em anos de gestão, que a autarquia vem a público admitir que o sistema de fornecimento de água (com deficiências em controle de pressão e setorização) pode sim levar a “registro de ar” no hidrômetro.

REVISÃO DE CONSUMO

O DAE, conforme publicado pelo CONTRAPONTO, designou um servidor na unidade do Poupatempo apenas para receber reclamações de aumento de consumo em regiões onde há racionamento, sobretudo no Sistema Batalha, que está sob racionamento.

Mas a presidência acolheu sugestão da reportagem de incluir na mesma sistemática de revisão contas em toda a cidade. Isso porque, sem controle de pressão de rede e setorização, a ocorrência de interferência de ar nos hidrômetros pode ocorrer em outras regiões.

A manobra operacional do DAE em uma rede (para conter vazamento, por exemplo) pode, horas depois, desequilibrar todo o sistema de distribuição. E, sem equipamento eliminador de ar nos imóveis, consumidores de quase todos os bairros, a rigor, podem ser surpreendidos com “invasão” de ar na rotina de registro de consumo (o que é irregular).

Assim, desde hoje, o DAE está recebendo de forma dirigida revisões nos registros de consumo.

Por telefone ou e-mail (listados abaixo), o munícipe pode solicitar esta revisão pelo déficit no abastecimento. Porém, outros fatores são analisados junto ao cadastro antes que de fato o recálculo seja realizado.”Se durante esta análise forem detectadas demais interferências no consumo do imóvel, o munícipe será orientado a solicitar a análise da conta reclamada para que outros fatores sejam verificados, como, por exemplo, identificação de vazamento interno, ausência de leitura, etc”, observa a autarquia.

A autarquia, de outro lado, reforça que os pedidos de análise de conta, seja por problemas de abastecimento, vazamento interno não aparente, hidrômetro com avaria e problemas de leitura já são analisados pelos setores responsáveis do Departamento, em cumprimento à Resolução interna 13/2017, vigente desde 30/10/2017.

A Diretoria de Serviços do DAE informou que, apenas neste mês, foram aplicadas 92 revisões em contas (por reclamação de excesso de consumo – com racionamento).

Sobre a revisão rotineira feita pelo próprio DAE, em cima do relatório de CRÍTICA, entre 16 de setembro e 8 de outubro (período da última “conta” emitida), a autarquia detectou revisão em 210 dos 316 casos apontados em relatório.

E isso considerando que o ‘filtro’ de verificação é apenas para casos com consumo superior a 60%. Isso mostra como o atual serviço de crítica de consumo é defasado.

Na Câmara Municipal, tramita projeto de lei de autoria do vereador Coronel Meira, que trata especificamente da obrigação de instalação de bloqueadores de ar antes dos hidrômetros.    

 

Serviço – Um servidor do setor responsável ficará à disposição para atendimento exclusivo e presencial desses casos, das 9h às 11h, na sede do DAE, mediante prévio agendamento pelo telefone 3235-6149.

e-mail: analiseconta@daebauru.sp.gov.br
Poupatempo: agendamento prévio de data e horário, que pode ser feito pelo portal www.poupatempo.sp.gov.br

http://https://www.youtube.com/watch?v=g9ChgyraSwY&feature=youtu.be

MUDANÇA DE POSTURA

Em uma ação de jornalismo propositivo, o CONTRAPONTO sugeriu ao presidente do DAE, Eliseu Areco Neto, reunião com as diretorias administrativa-financeira e de serviços, que engloba chefias que controlam do serviço de leitura de consumo ao setor de informática.

A presidência acolheu a sugestão. Conversamos, na sede do DAE, com Eliseu Areco Neto e as diretoras Simone Cristina Bellido e Andréia Huss Moretti.

Abaixo, as principais sugestões discutidas no encontro, de forma franca:

— as diretorias da autarquia concordam que há necessidade de aperfeiçoamento de rotinas internas, de atualização de protocolos de gestão e procedimentos.

— a crítica de leitura apenas a partir de registros de consumo de 60% é um “corte” inadequado. Ainda que o DAE não tenha “pernas” para revisar, mês a mês, número maior de consumos acima da “média normal de 12 meses”, as diretorias absorvem a necessidade de ajuste do percentual.

— independentemente do relatório apurar consumos (para mais e para menos) abaixo do filtro de 60%, as diretorias acolhem a sugestão de que os processos de rotina (reuniões mensais entre chefias) e protocolo devem cruzar outros dados para avaliação periódica.

— a ideia é que o DAE saia apenas da ação por chamado do consumidor (reclamação por conta elevada) e estabeleça, no novo protocolo, medida proativa em relação a detecção de consumos elevados (para mais e para menos).

— as diretorias de Serviços e Administrativa precisam ter suas rotinas de processos revisadas. Consome-se muita hora/trabalho com análises, muitos ligados a andamentos de inscrição e registro em dívida ativa (que também merecem revisão).

— o relatório de crítica de 30% (metade do patamar ideal) vai multiplica em mais de uma vez a abrangência da checagem para registros de consumo exagerados ou que despencaram. O DAE terá, no tempo, rotinas específicas para vistoriar casos onde pode haver suspeita de fraude pelo consumidor ou, de outro lado, reduzir reclamações por vazamentos (se antecipando aos fatos).

— os protocolos de serviços não realizam reuniões periódicas, de rotina, para o cruzamento de dados. As diretorias, a rigor, funcionam “cada uma em seu quadradinho”. Isso impede que novos processos possam ser discutidos, ou criados. E, pior, impede que o DAE cruze dados (e os discuta entre os chefes) como a relação entre maior número de vazamentos em uma região com reclamações de falta d´água, com relatórios de reservação e produção e, na ponta, o histórico de críticas de leitura.

— o sistema informatizado do DAE tem as informações. Mas elas não integram protocolos de rotina, entre as chefias. Os diretores também não têm, em suas rotinas, o hábito de exigir relatórios periódicos e realizar reuniões em cima dos dados. Por vezes, eles nem chegam a ser emitidos.

—  a implantação de protocolos de gestão, com procedimentos rotineiros ancorados em relatórios e troca de informações entre as chefias, estabelece não só novas rotinas, mas possibilita interação funcional, governança por indicadores concretos e proteção do sistema de serviços de abastecimento de água no caminho da valorização do servidor e do maior alcance de abordagem sobre riscos de perda de faturamento ou prática de fraude.

Governança, com protocolos a serem seguidos, em rotinas de gestão, é desafio.

 

Essas são as contribuições iniciais do CONTRAPONTO para a discussão do aperfeiçoamento do serviço público.

LEIA MAIS SOBRE O ASSUNTO EM: https://contraponto.digital/dae-assume-ar-incluido-na-conta-e-abre-revisao/

 

 

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