Bauru, Piracicaba e Franca: do mesmo porte, mas diferentes – veja como elas estão em receita de ICMS, emprego, orçamento …

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Dados sobre emprego, circulação de mercadorias, serviços, arrecadação, para você comparar

Quase todas as cidades médias do Interior Paulista estão indo bem na arrecadação. Na maioria dos centros regionais, a performance de retomada de vagas de emprego também está refletida nos dados oficiais. Mas o que dizem os números sobre indicadores importantes como emprego, por setor, circulação de mercadorias e serviços e orçamentos municipais entre cidades do mesmo porte populacional, como Bauru, Piracicaba e Franca?

Depois de apontar para você os resultados do último ano e do acumulado até maio de 2022 sobre empregos em Bauru divulgado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – leia esta matéria clicando neste link: https://contraponto.digital/emprego-bauru-soma-878-postos-a-mais-em-maio-e-acumula-saldo-positivo-de-3-239-vagas-em-5-meses/    -, levantamos as posições de Bauru, Piracicaba e Franca.

O CONTRAPONTO oferece a você informações a partir de pesquisas em fontes oficiais, e sugere reflexão a partir de cidades com estrutura de serviços em água, esgoto, transporte coletivo, educação e saúde com populações próximas, para ajudar na avaliação. Vamos dar o pontapé na Série das Reportagens de comparação?

EMPREGOS

Direto ao ponto, o infográfico acima mostra que tanto Bauru, quanto Piracicaba e Franca confirmam recuperação de vagas de empregos formais nesta quarta fase da pandemia Covid-19. Os números identificam, porém, que o resultado em Franca é praticamente o dobro de Bauru e mais de 2/3 melhor do que de Piracicaba, de janeiro a maio deste ano (Caged).

Como toda indicação de números concentrados, não se pode utilizar o resultado global como definidor de tudo. Alguém já deve, de cara, lembrar, corretamente, que Franca tem tradição em indústria de calçados. E o estágio de recuperação, ou não, deste setor, tem peso sobre o indicador. O fato é que, por dentro, os resultados do Caged de janeiro a maio demonstram que tanto Franca quanto Piracicaba tem atividade industrial em patamar superior a Bauru.

Até maio deste 2022, Bauru aparece com apenas 379 vagas de saldo positivo na indústria, contra duas vezes e meia mais em Piracicaba (saldo de 1.099 empregos formais) e quase 10 vezes acima em Franca (3.463 de saldo). Mesmo sem adentrar ao mérito do perfil industrial entre as cidades, sabemos que Bauru ainda se ressente de perdas significativas de vagas de empregos com média salarial muito superior ao comércio e serviços. O fechamento da Mondelez é o caso mais latente dos últimos anos, entre outros.

O Caged também ratifica que Bauru concentra maior volume de abertura de vagas em serviços, com destaque para os de cobrança e/ou call center. Aqui estão as maiores empresas operadoras das carteiras de bancos e demais operadoras de crédito. Boa oportunidade para o chamado primeiro emprego, sobretudo entre jovens. Mas com média salarial baixa.

Conforme os dados, o desempenho em admissões para o setor de serviços responde por algo perto de 80% do saldo total na Cidade Sem Limites. A diferença, evidente é que, ao contrário daqui, as novas contratações com carteira assinada estão bem melhor distribuídas em Piracicaba (com saldo de 1.426 em serviços e 1.099 na indústria para um saldo total de 3.791) e Franca (2.637 postos a mais no confronto com os demitidos em serviços e representativos 3.463 postos industriais a mais – do total de 6.504).

Piracicaba, população estimada de 410 mil pessoas e orçamento de R$ 2 bilhões em 2022

PRESSÃO NO COMÉRCIO

As três cidades onde os serviços públicos precisam chegar a um volume populacional muito próximo também apresentam maior pressão (negativa) sobre o emprego no comércio. Basta o cidadão andar pelos centros comerciais para ver o cenário de portas fechadas, evidência de que estes e outros municípios classificados como centros regionais se ressentem da somatória de inflação em alta, desemprego e endividamento ainda muito elevado e queda na renda da população.

Não por acaso, o Caged traz menos (-) 97 vagas nos primeiros cinco meses em Bauru e, mesmo com saldos positivos, apenas 37 vagas de admissões superando a admissões em Franca e 207 em Piracicaba (resultado ainda assim muitas vezes superior ao de nossa cidade – no Centro do Estado – e ao da localizada ao Norte Paulista).

Se vale como elemento a ser considerado, a divulgação de empregados e demitidos de janeiro a maio também reforça que a circulação efetiva de “grana” em Piracicaba e Franca tende a ser, de fato, melhor do que aqui quando olhamos para a já apontada boa performance na indústria, comparada a Bauru. É clássico nos apontamentos econômicos que as fábricas pagam bem melhor do que o comércio e ainda mais do que os ganhos em serviços, mesmo em funções iguais.

Além disso, em particular, os resultados de Franca, até aqui, ainda são bem melhores na construção civil (1.069 de saldo de empregos, contra apenas 383 de Piracicaba e 352 em Bauru).

Franca, polo calçadista masculino com saldo de empregos na indústria 10 vezes maior

RECEITA DE CIRCULAÇÃO

Desperta natural curiosidade apurar, na sequência dos perfis de dados entre as 3 cidades, que a receita vinda da circulação de mercadorias e serviços em Piracicaba é mais do dobro de Bauru e mais do que isso na comparação com Franca.

Aliás, para não ficar a dúvida de que a arrecadação muito melhor do bolo estadual de ICMS em Piracicaba possa ser pontual, veja que os números tanto de 2021 quanto de antes da pandemia (2019) mantêm a ampla vantagem.

O ano passado, Piracicaba conseguiu ficar com R$ 435,1 milhões dos repasses de ICMS enviados pelo Estado, contra menos da metade de Bauru (R$ 210,2 milhões). Será interessante (e necessário, de fato) depurar por que Franca fica abaixo – com R$ 161,7 milhões.

Se o caixa vai bem (com crescimento da receita até acima da inflação) nas três cidades, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) ressalva que este “fenômeno” não é realidade na maioria das cidades (pequenas e médias). O gerente regional do TCE de Bauru, José Paulo Nardone, já assentou em outra matéria nossa sobre o tema que a maioria (imensa) – destaque de redundância proposital nosso, para ênfase – das prefeituras “amarga estagnação nas receitas e aumento da dependência dos repasses da União – FPM).

Bauru: 80% do saldo positivo até maio em empregos se concentra no setor de serviços

CONFRONTO DE ORÇAMENTOS 

Para ajudar em suas observações, citamos os orçamentos das três cidades aqui comparadas, conforme processos em vigor da Lei Orçamentária Anual (LOA) relativos a 2022.

Bauru tem receita orçamentária total fixada em R$ 1,62 bilhão para este 2022.

Franca fixou em lei orçamentária R$ 1,04 bilhão.

Piracicaba tem LOA para este ano de R$ 2,07 bilhões. 

Mas, vale alguns reparos antes de você gerar conclusões. As LOAs de Bauru e Piracicaba incluem, em lei, as receitas da gestão indireta (como de água, previdência, fundações). A de Franca não traz.

Mas alguns dados em específico vão lhe ajudar no raciocínio sobre as economias locais e o caixa público municipal:

A Educação em Bauru terá mais de R$ 335 milhões neste ano. 

Piracicaba R$ 432,6 milhões. E Franca estabeleceu R$ 337,8 milhões. 

Ou seja, os orçamentos mostram a força econômica de Piracicaba nos diferentes quesitos.

Contudo, além dos números refletirem (em confirmação) a economia mais forte em Piracicaba, é preciso, ainda, levar em conta que Franca destina mais R$ 53,4 milhões de seu Orçamento para o Centro Universitário e R$ 21,4 milhões para a Faculdade de Direito.

Os números, de fato, indicam, mas não falam sozinhos. Veja, por exemplo, que, diferentemente de Bauru, Piracicaba utiliza R$ 43 milhões para Guarda Municipal. E lá ainda há estrutura própria em Habitação (Empresa Municipal) e Instituto de Planejamento.

Ou seja, para avaliação mais amiúde é preciso levar em conta uma série de particularidades em estrutura e dados, entre os municípios. Mas, por ora, esperamos que a apuração nesta primeira Reportagem tenha contribuído para compreendermos um pouco mais nossos desafios a partir do espelho das economias de cidades com população muito próximas de Bauru e, com isso, elencarmos com maior bagagem nossas virtudes e deficiências.

OUTROS DADOS

Pra quem gosta de esmiuçar mais dados, veja que o infográfico traz o saldo de empregos por cada setor, as receitas de ICMS nos 5 primeiros meses do ano e também em 2021 e antes da pandemia, além do total de óbitos até aqui na pandemia (Covid-19), população estimada e arrecadação de IPVA.

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Se apreciou nosso levantamento nesta primeira etapa, deixe seu comentário, faça seus apontamentos, sugestões e críticas.

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