
O caso lixo cuja fraude bilionária foi desbaratada pelo Gaeco Bauru tem desdobramentos esperados para outros agentes políticos e contratos. É questão de tempo – dado o enorme volume de conteúdos submetido a apuração dos promotores do crime organizado.
A prisão preventiva de Renato Purini nesta sexta-feira 16/10 retira de circulação mais um agente político com capacidade de influência no caso. Ele está preso em nova frente em apuração. A ordem de prisão é do juiz Josias Almeida Júnior. A ordem judicial também gerou buscas na casa da prefeita, pela manhã. O CONTRAPONTO apura o alcance e novas frentes em curso. Leia os fatos:
Apuramos que o substancial volume para novas frentes não virá da Operação Mobius (em andamento) – cujo eixo é a coleta seletiva com contrato com Município através da Associação de Cooperativas de Recicláveis (Ascam). Uma nova frente foi aberta hoje. E outras virão.
OUTRO FATO
Neste caso da coleta seletiva, o processo em si tem pagamentos por fora para o gestor do contrato, o servidor da Semab Roldão Pucci. Ele confirmou à reportagem que recebeu R$ 950,00, R$ 2.300,00 – mas rejeita a tese de propina. Roldão conta que fez projetos de educação ambiental para Gisele Moretti. Mas ele fiscalizava o cumprimento de contrato do recuclácel da cooperativa com a Prefeitura. Está ciente que vai responder por isso como servidor .

MONITORADO
Purini estava sendo acompanhado de perto. E não só pelo seu papel de defensor do governo na esfera política de poder. E não somente pela inevitável presença do marido da prefeita Suéllen no cargo político criado há poucos meses para acomodá-lo no primeiro escalão. Ele atuava para blindar Suéllen.
De outro lado, a nova frente de provas explosivas contra a corrupção está indicada no conteúdo apreendido em três endereços do coordenador da Fipe, Mário Silvério – foragido e com ordem de prisão em aberto no caso do lixo.
Adiantamos no CONTRAPONTO que o caso lixo ganharia nova dimensão com os serviços e formato da relação de Mário com integrantes do governo de Bauru. Ele coordenou, alterou e justificou mudanças no edital do esgoto e drenagem. A Fipe também foi contratada para revisão do Plano Diretor e Lei de Zoneamento. E todo esse material está em depuração.
E, apesar de foragido, tudo o que estava com Mário Silvério já está nas mãos do Gaeco. Este material preocupa o governo.
Escrevemos durante a Operação Cavalo de Troia que a apreensão de telefone celular, notebook e arquivos de Mário Silvério tem potencial de alta combustão. Escrevemos para registro – nesta semana – que esgoto fede como lixo. A questão é objetiva: o esquema de envelope fechado com direcionamento de licitação foi montado por Mário Silvério no edital bilionário do esgoto. E o mesmo coordenador da Fipe atuou para validar a mesma estrutura de operar no caso do lixo. Inclusive para passar o edital no TCE SP.
Ocorre que o lixo o Gaeco derrubou antes da fraude de R$ 5,3 bilhões gerar contrato assinado. Mas o serviço de Silvério no edital de esgoto gerou assinatura. Quem se vinculou a ele e atuou no andamento do mesmo esquema no esgoto vai aparecer nas provas. É questão de tempo.
PURINI
Ontem, quinta-feira, em realização de matéria para a TV Câmara sobre o projeto da Guarda Municipal – que está na pasta de Renato Purini na Prefeitura – o secretário mostrou preocupação com os novos eixos em apuração pelo Gaeco. Purini perguntou sobre novas denúncias e mostrou reticência sobre a frente que passa pelos trabalhos da Fipe.
Ele tentou indicar se mostrar surpreso com o alcance da apuração no eixo Mário Silverio. Citamos os vários contratos, inclusive com outras prefeituras. Ele também indagou sobre a publicação que adiantamos esta semana apontando para os novos eixos. As digitais e modus operandi de Mário sob a fachada da marca Fipe atingem projetos bilionários em várias cidades. Ele está foragido. Mas os arquivos estão com o Gaeco desde antes.

Se Gisele Moretti da Ascam reitera junto ao Gaeco para falar há semanas, a prisão de Purini identifica que o Gaeco está concentrado no eixo central do esquema de corrupção e vai atuar para impedir que agentes políticos usem o poder para interferir no processo. O mesmo raciocínio vale para parlamentares que terão de julgar a prefeita em CP em andamento.
Os arquivos de Mário e as interceptações ainda a serem reveladas vão alcançar novos atores.