
Ao determinar a prisão preventiva de Renato Purini, secretário de governo e marido da prefeita Suéllen Rosim, o juiz da Vara das Garantias, Josias Martins de Almeida Júnior, descreve que os promotores do Gaeco Bauru apontam que Purini teria recebido pagamento ilicito de R$ 750 mil já na fase em que atuou para aprovar a concessão do lixo no Legislativo.
Conforme o Gaeco, interceptações telefônicas e outras provas levantadas no processo indicam a utilização de fraude (esquentar nota fiscal) para o pagamento inicial pela atuação de Purini, via Estre Ambiental. Os promotores ainda apontam que houve um “aditivo” de R$ 90 mil, atribuido no oficial a título de “12% de impostos”.
Na decisão, o juiz confirma a prisão temporária de Renato Purini e descreve a participação de dois intermediários na elaboração do esquema de pagamento ilegal a Purini, conforme o Gaeco, sendo um deles um advogado de São Paulo.
“Traz a decisão que o fumus comissi delicti (prova da materialidade e indícios suficientes de autoria) exsurge delineado a partir das mensagens de texto, registros de chamadas e áudios judicialmente
compartilhados dos aparelhos apreendidos na primeira fase da Operação Cavalo de Troia.
Os elementos informativos revelam que R.C.B.P. (Purini) valendo-se das prerrogativas inerentes ao cargo de Secretário Municipal de Governo, assumiu a interface política e operacional para garantir a higidez legislativa de certame licitatório previamente fraudado. Os diálogos
travados com a corré C.C.B. (Cilene) evidenciam que o representado interferiu ativamente na tramitação
do Projeto de Lei nº 95/2025, coagindo e monitorando parlamentares municipais para a obtenção de quórum favorável”.
Prossegue a decisão que “mais do que a articulação institucional inerente ao cargo, restou evidenciada a solicitação e o recebimento de contraprestação financeira indevida. Para viabilizar a drenagem de recursos da empresa Estre Ambiental sem atrair a atenção dos órgãos de controle, R.C.B.P. indicou o advogado M.L.C. (Marcos) viabilizando a confecção de contratos e a emissão de notas fiscais fraudulentas”.
FRAUDE
As conversas demonstram – diz o juiz – que, “após a liquidação de nota fiscal de R$ 750.000,00, Renato cobrou com insistência a complementação de R$ 90.000,00 a pretexto de custear “impostos de 12%”, exigência que provocou a imediata formalização de aditivo contratual e nova emissão fiscal por parte do núcleo empresarial. O domínio exercido pelo investigado sobre os repasses e sobre a conduta do intermediário evidencia sua inserção direta na cadeia criminosa”.
Também “há fortes indícios de que as práticas delitivas, em tese, se dariam de forma contínua e com abuso da influência decorrente do cargo público exercido, elementos que configuram risco atual e iminente à ordem pública com a manutenção do investigado em liberdade”, traz a decisão.
A cobertura dos desdobramentos da Operação Cavalo de Troia (que culminaram na prisão preventiva de Renato Purini, então secretário de Governo e marido da prefeita) entram em forte contraste e atrito lógico com a linha de defesa adotada por Suéllen Rosim em sua oitiva.
Os principais pontos de contradição entre as respostas da prefeita e o que embasou as investigações e a prisão de seu secretário de Governo são:
* A Desvinculação da Pasta de Governo do Processo do Lixo:
* O que a prefeita disse na oitiva: Suéllen afirmou repetidamente que a Secretaria de Governo (ocupada por Renato Purini) não gerenciava e não tramitava o processo da concessão do lixo, sustentando que toda a modelagem e condução eram restritas à Secretaria de Meio Ambiente (Sema) em conjunto com a FIPE, limitando o papel do marido a uma interlocução política genérica com a Câmara Municipal.
* O que embasou a prisão: A investigação do Gaeco aponta que a atuação do núcleo político e de governo era central na articulação do esquema de fraudes e corrupção, havendo elementos robustos de que as decisões e tratativas cruzavam o alto escalão administrativo — o que motivou a ordem de prisão preventiva de Purini.
* O Peso das Provas Materiais versus “Falas de Terceiros”:
* O que a prefeita disse na oitiva: Para desqualificar os diálogos interceptados que citavam valores bilionários ou de propina, a prefeita minimizou os fatos chamando-os de “falas de terceiros”, argumentando que qualquer um pode falar em seu nome ou de seus secretários e que não havia indícios concretos que justificassem medidas internas de auditoria ou investigação antes da ação do Ministério Público.
* O que embasou a prisão: De acordo com as autoridades, esta nova fase da operação decorreu justamente da evolução na análise de provas obtidas de celulares apreendidos (inclusive de fases anteriores). As mensagens e registros materiais extraídos comprovaram um conluio estruturado dentro da prefeitura, demonstrando que as suspeitas não eram meros boatos ou ilações isoladas de terceiros, mas tratativas investigadas com respaldo probatório.
* A Percepção de Controle e Governança:
* O que a prefeita disse na oitiva: A defesa da chefe do Executivo baseou-se na tese de que confiava cegamente no corpo técnico e que era humanamente impossível monitorar as ações e desvios de conduta de seus secretários nomeados, blindando a si mesma de responsabilidade sobre os atos praticados dentro da administração.
* O que embasou a prisão: O avanço do Gaeco atingindo o coração do primeiro escalão do governo municipal (incluindo secretários de Negócios Jurídicos, Meio Ambiente e de Governo) desconstrói perante os órgãos de controle a narrativa de que o gabinete governamental estaria totalmente isolado ou alheio às articulações que ocorriam em torno do contrato bilionário do lixo.
Embora a prefeita não seja o alvo direto dessa ordem específica de prisão, as revelações e os fundamentos da investigação policial divulgados pela imprensa contradizem diretamente a tentativa da defesa de isolar a cúpula do governo e tratar os indícios de corrupção como fatos distantes da gestão central.
O tempo é senhor da razão! a quantos anos esse cidadão milita na vida pública de Bauru e, pode ser observados em diversas materias que sempre esteve envolvido quando chamado como vereador e presidente da Câmara, sempre tomava posição que não era em defesa do interesse público mas sim daqueles que estavam sendo questionados.