
A forma e condução de prestação de serviços realizados pelo DAE para conserto de sua frota em oficinas é a mais nova “dor de cabeça” do governo municipal. A vereadora Estela Almagro publicou em sua rede social denúncia de possíveis irregularidades em procedimentos.
No caso concreto, a parlamentar conta em sua rede social, em conversa direto com dois prestadores de serviços, em uma oficina na região
do Jd. do Contorno (próximo da Vila Vicentina). No material em vídeo o diálogo traz pelo menos 3 ocorrências irregulares que estariam ocorrendo no DAE para conserto e pagamento de sua frota. O prestador de serviço conta para a parlamentar que ele mesmo já realizou a busca e entrega de 3 orçamentos utilizados pelo DAE para realizar serviços de oficina. Como se sabe, pelo regramento legal, é o setor público quem deve realizar todas as etapas de cadastramento, orçamento e preparo do restante da documentação para, após, contratar o serviço.
Conforme a gravação veiculada por Estela, a prática da oficina ter de entregar os orçamentos (para ela ser a contratada depois) ocorreu várias vezes. Outra informação inusitada, também irregular, é de que uma terceira empresa entrou em contato com o dono da oficina visitada por Estela com o interesse de pagar por dívida de cerca de R$ 2 mil.
Ou seja, de acordo com o prestador do serviço, o DAE não pagou por serviços de troca de freios (rodas traseiras) no caminhão registrado na frota de número 239. O serviço foi realizado em setembro de 2025. E, neste caso, o levantamento dos orçamentos obrigatórios para aferir o melh0r preço não teria sido realizado. Pelo menos não pelo dono da oficina, no caso.
Ele conta que fez o serviço e até hoje o DAE não pagou. Ai uma empresa de São Paulo o solicitou, pelo telefone celular, a emissão de nota fiscal (pra ela e não para o DAE). E esta empresa pagaria pela dívida da autarquia.
Estela foi até a presidência do DAE para informar do ocorrido e pedir informações. Na sexta-feira (09/01), o presidente do DAE João Carlos Viegas esteve em tratamento dentário de urgência. Ele retornou para o CONTRAPONTO, depois, informando que está sendo realizada abertura imediata de sindicância administrativa para apurar o caso.
Viegas admite estar enfrentando dificuldade para oxigenar procedimentos internos. E reconhece que há obstáculos a serem superados em gestão administrativa, financeira e de controladoria. Há histórico de casos onde servidores do DAE mantêm relações com serviços ou estabelecimentos – como sócios ou geridos por terceiros. No caso em apuração, há indicação de que a oficina teria, nesta fase, atuação de pessoa que foi servidor do DAE.
Assim, todos os detalhes terão, agora, de ser devidamente levantados via sindicância e corrigidos.
O governo municipal enfrenta, há várias gestões, dificuldades em controlar, monitorar e garantir eficiência e legalidade no relacionamento com prestadores de serviços. Na área de frotas, consertos, várias Secretarias já tiveram ocorrências com irregularidades, em diferentes gestões.