
O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ), Paulo Orsi, indeferiu pedido de prisão domiciliar à ex-secretária Municipal do Meio Ambiente, Cilene Bordezan. Ela alegou necessidade de estar próximo do filho de 12 anos e do pai para cuidados específicos de saúde. De outro lado, também esta nesta parte da ação que a Prefeitura de Bauru serviu ao laboratório do crime, acentua o Gaeco.
Os promotores do Gaeco apontam no processo informações da rotina e presença da ex-secretária distante da presença domiciliar para demonstrar a ausência de fato jurídico para justificar a medida que beneficiaria a investigada.
De outro lado, o Gaeco descreve que o esquema liderado por Cilene junto ao presidente da Estre Ambiental, Hamilton Agle, foi arquitetado para servir a fraude em outras cidades onde o grupo atua. A Prefeitura de Bauru foi usada como lanoratório da fraude. A Estre Ambiental junto com Cilene agia de olho em cidades como Curitiba, São José dos Campos e outras.
LABORATÓRIO DO CRIME
O relatório do Gaeco pela manutenção das prisões na primeira etapa traz que “o risco de reiteração delitiva impõe a custódia temporária porque a atuação do grupo criminoso não restringia suas ações fraudulentas ao Município de Bauru. As interceptações evidenciaram de forma estarrecedora que a licitação bauruense era concebida pelos investigados como mero “laboratório” piloto destinado
a ser replicado em outros entes federativos, inclusive com projeção interestadual e pretensões orçamentárias que alcançavam cifras bilionárias”, traz o processo.
Idêntica articulação criminosa vinha sendo costurada para espalhar a fraude a município próximo, onde Hamilton (Agle) pretendia “replicar o modelo [a fraude] Bauru, em que
a gente teria o transbordo e a destinação final, pra ganhar duas vezes”, conforme chamada de 19 de agosto de 2026, além de tratativas documentadas visando capturar
certames licitatórios nas cidades de São José dos Campos/SP (envolvendo valores projetados de 12 bilhões de reais), dentre outras cidades.
ESCUTA
Em diálogo interceptado em 29 de julho de 2026 (áudio Guardião
37067356.WAV), Cilene e Hamilton debatem pormenorizadamente a venda do modelo em Curitiba/PR, arquitetando a contratação direta da Fundação Instituto de Administração (FIA) com dispensa de licitação e posterior subcontratação da empresa Tartus, de Cilene, chegando a investigada a proclamar: “eu sou Estre, eu sou Estre dentro da FIA, então vocês têm um agente da Estre com selo da FIA, é isso”.
Essa prova colhida – materializada pela frase dita pela própria Cilene para Hamilton – comprova que a liberdade dos agentes, por si só, coloca em severo risco a ordem pública, tamanha a sanha que eles têm de atentarem contra o erário por meio de
diversas fraudes licitatórias”.
O laboratório do crime foi montado na Prefeitura de Bauru, ainda, com a prefeita Suéllen Rosim nomeando como secretária adjunta Sara Moura, ex funcionária da própria Estre até abril deste ano.