Ação quer barrar que todos paguem custo de drenagem da Nações na concessão de esgoto

Urbanista José Xaides anuncia ação popular contra custeio de piscinões da Nações por todos os bauruenses

O amplo programa de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) da gestão da prefeita Suéllen Rosim deve ter a sua primeira ação judicial relativa ao edital de esgoto e drenagem da bacia da avenida Nações Unidas. É o que informa o ex-secretário municipal de planejamento, o urbanista José Xaides, em relação à cobrança de piscinões e micro e macrodenagem.

Da concessão homologada no mês passado pela gestão Suéllen – tendo como vencedora o consórcio liderado pelo grupo CBI (Companhia Brasileira de Infraestrutura) – a ação anunciada pelos segmentos municipais setoriais discute que o edital cobra de todos os bauruenses por uma despesa de construção e manutenção que deveria ser suportada apenas por quem reside na bacia da Av. Nações Unidas e sua àrea de influência.

Ou seja, o urbanista anuncia ida ao Judiciário para que seja anulada a tarifa global que inclui obras e serviços de esgoto sem diferenciação e separação para a drenagem. “Nossa ação popular combate que o morador lá do Parque Bauru ou de outros bairros fora da região da Av Nações Unidas não podem pagar, embutido no edital de esgoto, pelo custo específico de drenagem. A lei não permite cobrar separado, com a divisão para os moradores do entorno ou que utilizam a bacia da Nações Unidas. E é nisso que a cobrança da tarifa de esgoto faz ao incluir o custo da instalação dos piscinões e micro e macrodrenagem”, explica Xaides.

Ele lembra que o Município inseriu as obras de drenagem como complementares em um edital cujo objeto principal é esgoto. “Vamos questionar que o marco de saneamento exige a aplicação de cobrança específica para drenagem e vinculada somente aos moradores da região onde a obra está inserida”, acrescenta.

Este mesmo argumento foi apontado pelo advogado e membro do Codese (Conselho de Desenvolvimento) e da Comissão que discute concessões na OAB Bauru, Pedro Fiorelli, ainda durante audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal de Bauru, no ano passado.

A ação pode ser o primeiro litígio relativo às concessões do governo Suéllen. Na semana passada, o urbanista notificou, extrajudicialmente, a prefeita para que responda objetivamente sobre os projetos de drenagem já contratados pela prefeitura relativos à intervenção para a eliminação dos pontos de inundação na bacia na avenida Nações Unidas.

O urbanista ainda questiona se o estudo da concessão inclui a possibilidade do chamado ‘parque esponja’ na região do Vitória Régia como alternativa para o projeto. Ou seja, o represamento natural de àgua com extensão de permeabilização. A notificação extrajudicial também estipula um alerta à prefeita de que a vinculação da cobrança ilegal no custo e operação da drenagem, junto às obras da concessão do esgoto, pode trazer consequências jurídicas.

A medida aponta para outro problema. “Pense que além das contenções públicas de àgua, como no Vitória Régia, os maiores impactadores para enchentes deveriam também fazer suas contenções: como a Via Rondon, os estacionamentos de Shoppings, as grandes magazines como o Sans Club, a Havan, supermervados, o campus da USP. Isso teria de ser resolvido desde a cabeceira da Nações”, diz.

EDITAL

O governo defendeu a legalidade do edital junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). No combate a representações, o Município conseguiu derrubar pedidos de impugnação. Entre os pontos de defesa, o Jurídico Municipal sustentou que o edital contempla obras de esgoto e operação do tratamento com as obras de drenagem, entre outras, inseridas como uma espécie de contrapartida para obter o direito de explorar o contrato por 30 anos.

Somente no caso dos piscinões e outros elementos da drenagem o custo estimado supera a R$ 450 milhões, contra cerca de R$ 230 milhões do objeto principal: o esgoto.

6 comentários em “Ação quer barrar que todos paguem custo de drenagem da Nações na concessão de esgoto”

  1. Alfredo Neme Neto

    Acredito que o problema da drenagem em Bauru, de uma forma geral, é responsabilidade de todos, uma vez que foi ocasionado por falta de planejamento dos gestores municipais ao longo de anos, porém poderia se tentar recursos estaduais e federais para resolver o problema da Av. Nações , e não incluir na concessão do esgoto, acho que são assuntos distintos.

  2. Coaracy Domingues

    MAIS UMA VEZ, A administração Suéllen Rosim ASSINOU O ATESTADO DE NEGLIGÊNCIA E INCOMPETÊNCIA, JUNTAS !
    IDÉIAS MIRABOLANTES, NO MÍNIMO TRAZEM CONSIGO LITÍGIOS….

  3. O interesse da drenagem é público e, para mim, atende a comunidade em geral (interesse difuso).
    É muita picuinha e preciosismo, mas nada há de amparo jurídico nessa intenção de dividir somente com os moradores afetados diretamente.
    É um absurdo e a ação não vingará. Nem liminar haverá!
    Uma coisa é ser contra a questão política; outra é ser contra uma solução sobre questão que afeta a todos!

  4. Bruno Gabas Felipe

    Dizer que a drenagem da Nações Unidas não é responsabilidade de todos é um equívoco. Os moradores da cidade toda utilizam a nações unidades… não existe isso de não pagar porque não vive no entorno.

  5. João David Felicio

    Não é uma questão de que todos devam pagar porque todos usam a AV. Nações Unidas. Mas sim de que aqueles que impactam de forma “absurda” a drenagem da referida AV. contribuam efetivamente de forma proporcional, coisa que não é contemplada nesta forma de cobrança proposta pelo projeto. É claro e indiscutivelmente que os grandes impactados pouco vão pagar, pois são pequenos consumidores de água ou nem as consomem, como é o caso da Via Rondon. Simples de se fazer ! bastava a administração municipal fazer processo distinto: um para a construção da ETE e gerenciamento da coleta e transporte do esgoto, outro para os serviço de drenagem com financiamento pela prefeitura. Na verdade, a administração está querendo repassar para o contribuinte via tarifa de água, o que é de sua responsabilidade viabilizar recurso.

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