
O universo de João Guimarães Rosa não cabe no mapa. Ele se reinventa a cada leitura. Setenta anos após a publicação de Grande sertão: veredas, a Editora Mireveja revisita esse território com a palestra gratuita “Por que ler ‘Grande sertão: veredas’?”, no dia 14 de maio, às 20h, em Bauru. A atividade marca a programação especial do mês em homenagem à obra que também inspira o nome da editora.
O encontro será conduzido pelo jornalista e editor João Correia Filho, que compartilha sua relação com o livro e as inúmeras viagens realizadas pelo universo real e imaginário criado por Rosa. A palestra inclui ainda a exibição de imagens que ajudam a compreender o sertão rosiano. A entrada é franca, com vagas limitadas.
Dando continuidade à programação, no dia 28 de maio, a editora promove o lançamento do livro O fabuloso inventário de Brasinha – e as memórias de um grande sertão, da escritora Stella Ramos. A noite contará também com um pocket show do Duo de Varanda, formado por Stella Ramos e Rafael Cabello.

CURIOSIDADE
Mas afinal, o que significa “Mireveja”? A expressão, que une dois verbos em uma única palavra, foi inspirada em Grande sertão: veredas e aparece diversas vezes na fala do personagem Riobaldo. Foi a partir dessa leitura que, ainda na universidade, João Correia Filho passou a se dedicar profundamente à obra de Guimarães Rosa. Tal interesse balizou sua formação, sua atuação como jornalista e suas viagens pelo sertão brasileiro.
O nome Mireveja surgiu oficialmente em 2004, quando João criou uma empresa de produção textual e de imagens. Anos depois, em 2019, ao fundar a editora, resgatou a expressão que o acompanhava há décadas, consolidando-a como marca de um trabalho guiado pela literatura, pela observação e pela escuta.
Ao longo de maio, além das atividades comemorativas, a editora também disponibiliza parte de seu catálogo com condições especiais.
A palestra, o lançamento e o pocket show do Duo Varanda serão realizados no Espaço Mireveja, que fica na rua Maria Cecília de Oliveira Maciel, 1-13, Jardim Colonial, próximo à Unesp.
“Além da maneira de lá
A lenda à maneira de lá” …
CONTRAPONTO
No àlbum musical CONTRAPONTO, lançado no ambiente da pandemia Covid, o jornalista e compositor Nélson Itaberá fez uma leitura de significados linguísticos e literários de contos de Guimarães Rosa. A canção Sagarana explora a inversão de sentidos, e de realidades, do sertão ambíguo retratado tão bem por Rosa.
O texto musicado traz o arranjo do produtor e diretor artístico do disco, Josiel Rusmont. A viola “conversa” com o som àrido roseano. A dinâmica da canção construída por Itaberá indica prosa nos versos e recorte de duelo musical no texto e na levada entre as estrofes.
Está nas principais plataformas a canção. Ouça neste link: