Para que ainda serve o Twitter?


Por Gustavo Candido

Você usa o Twitter regularmente? Sua empresa tem perfil nessa rede social?
Na última semana o Twitter esteve nas manchetes por ter se negado a remover postagens que promovem a violência em escolas, alegando que tais conteúdos não violam os termos de uso da plataforma. A recusa ocorreu em uma reunião promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com representantes de várias redes sociais.
O ministério identificou perfis que compartilham fotos e nomes de autores de massacres, imagens de crianças mutiladas e músicas que incentivam ataques. Apesar disso, o Twitter argumentou que divulgar informações sobre autores de ataques a escolas não infringe suas regras, e que, desta forma, não seria necessário barrar as postagens. Pressionada pelo governo e setores da sociedade, a rede social voltou atrás e começou a remover os conteúdos.
Não quero entrar na questão política, no efetivo uso da rede social para a divulgação de fake news e conteúdo impróprio (como supostas imagens do corpo da cantora Marília Mendonça no IML, para citar um exemplo da semana), nem na mudança de postura da plataforma depois que foi comprada pelo empresário Elon Musk.
A polêmica me trouxe à tona a pergunta que é título desse artigo: para que ainda serve o Twitter?
Ring da “lacração”
Começo essa reflexão partindo de dois pontos, o primeiro, pessoal. O Twitter nunca me encantou. Até possuo um perfil antigo, fiz postagens ao longo dos anos, mas o formato – para mim – nunca foi atraente. E saibam que tentei várias vezes “começar a usar a plataforma de verdade”.
O Twitter, para mim, sempre foi o território da “lacração”, da competição de quem faz o comentário mais inteligente, mais engraçado ou mais rápido.

Também é o lugar do comentário inútil, da reflexão sem objetivo. A pessoa não tem com quem falar, vai lá e posta qualquer “groselha” para desabafar.
Até certo ponto, seguir famosos de áreas do meu interesse em algum momento foi divertido. Mas a tentação da lacração existe para essas pessoas também. O Twitter virou um ring virtual de linhas de pensamento no qual até os famosos se digladiam e ficar vendo gente – mesmo que famosa – batendo boca não traz benefício para ninguém.

O outro ponto é técnico, profissional. Muitas vezes me perguntam: minha empresa precisa estar no Twitter? Ou afirmam: quero estar no Twitter. Essa dúvida/desejo vem do fato de que a plataforma ainda é relevante e “faz barulho”, mesmo não estando no top 3 das redes sociais mais usadas no Brasil, lugar ocupado por Instagram, Facebook e TikTo (sem levar em consideração nessa lista os apps de mensagens). Há sempre alguém citando o Twitter e compartilhando o conteúdo da rede em outras plataformas.
Por outro lado, o Twitter é uma rede social que demanda dedicação e um grande volume de conteúdo. Não são todas as empresas que querem investir tempo e dinheiro para atuar na plataforma com alguma relevância (leia-se não estar lá apenas para dizer que está).

Posto isso, vamos a o que interessa.
Sim, o Twitter ainda tem o seu valor
Cada rede social tem o seu propósito, embora todas partam do mesmo princípio e tenham formas de monetização similares. Assim, não há como afirmar categoricamente que qualquer uma delas seja totalmente dispensável.
O Twitter nasceu em 2006 para ser, segundo seus fundadores, um tipo de “SMS da internet” com a limitação de caracteres de uma mensagem, 140. Ou seja, a rede nasceu como ambiente para compartilhamento de texto. As fotos, vídeos e links vieram depois, assim como a possibilidade de replicação das mensagens e aumento do tamanho nas postagens. O YouTube e o Facebook, lançados na mesma época, surgiram com outras propostas, por exemplo.
Essa semana, a direção da empresa anunciou que criadores de tuítes de 10 mil caracteres poderão monetizar seus canais oferecendo assinaturas. Assim, podemos esperar uma grande migração de newsletters e publicação de artigos na plataforma nos próximos meses. É uma movimentação importante do Twitter em busca de relevância (e dinheiro, claro, não há almoço de graça).
É muito difícil imaginar que uma plataforma de texto algum dia supere uma concorrente baseada em conteúdo audiovisual, mas é certo que o Twitter não vai ser abandonado pelos 24,3 milhões de usuários no Brasil. O país é o quarto do mundo em número de usuários na plataforma, atrás dos Estados Unidos (95,4 mi), Japão (67,5 mi) e Índia (27,3 mi), segundo o site Oberlo.
O Twitter também é um importante medidor de tendências através dos seus trending topics, os termos que estão sendo mais digitados na plataforma, além de ser um importante canal direto com os consumidores para os setores de atendimento das empresas.
Seu negócio precisa estar no Twitter? Como citei antes, só vale a pena se tiver sentido, se seus clientes e concorrentes estiverem ali e, sobretudo, se sua empresa conseguir produzir conteúdo na quantidade que a plataforma exige.

O Twitter é dinâmico, exige manifestações rápidas. Sua empresa tem alguém para acompanhar a rede o dia todo?
Como as demais plataformas, ter um perfil é uma faca de dois gumes. Pode trazer resultado se houver dedicação e pode atestar o desleixo quando o perfil não recebe atualizações ou não interage com os seguidores.
Quem trabalha com informação e conteúdo, não pode ignorar o Twitter e mesmo quem não trabalha pode usar a plataforma para “sentir o mercado”. Com todos os seus problemas, o Twitter ainda segue muito útil importante.
Mas, uma dica (que vale para todas as outras redes também) use-a a seu favor. Se estar lá te deixa triste, com raiva, com o desejo de esfregar “a sua” verdade na cara do outro e te tira do estado normal, procure outra coisa para fazer.

Ninguém precisa se manifestar o tempo todo sobre todos os assuntos para se provar “certo”, até porque isso raramente é possível. Se você tem esse comportamento na rede social está a utilizando da forma errada e de forma pouco saudável. Reflita!

O autor é consultor de marketing digital, fundador da Conten Comunicação Digital. Também é jornalista e autor de livros sobre Trade Marketing, Atendimento e Multicanalidade e Gestão de Marcas.
Instagram/Facebook: @gucandido; LinkedIn: gustavo-candido

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