
A Companhia Saneamento Bauru (CSB) informou nesta terça-feira que terá de construir novas àreas para o “coração da ETE” e isso exige nova aprovação de licença ambiental junto a Cetesb para a obra “andar”. A construção dos novos módulos de tanques para tratar o esgoto foi a saída para evitar riscos de utilização das instalações entregues. A obra teve projeto com erros contratado na gestão de Rodrigo Agostinho e execução com defeitos até setembro de 2021 – quando foi paralisada.
O presidente da CSB, Nei Moreira, explicou que os engenheiros viram riscos na recuperação dos tanques – que apresentaram centenas de fissuras. Além disso, não há àrea de laje na base dos módulos e a avaliação pela CSB é de que ainda há apontamentos de insuficiência em estacas e insegurança quanto a capacidade da estrutura de cimento suportar movimentação de toneladas de esgoto na fase de tratamento neste ponto.
Os erros estão em discussão judicial entre Prefeitura e a contratada anterior – COM Engenharia. São dezenas de milhões essa pendência.
Os paredões de concreto já erguidos terão correções e vão ser aproveitados para abrigar a fase do lodo – que também terá etapa adicional de transformação em material que pode servir, por exemplo, como adubo.. A CSB não tem como adiantar agora, mas isso indica que as novas construções elevem o custo final da ETE. O bsuruense está pagando essa obra e a lei aprovada na Câmara autoriza usar todo o valor de R$ 350 milhões na Estação e redes de esgoto.
O novo projeto prevê a adoção de sistema biológico para remoção de fósforo e nitrogênio, assim como a geração de energia elétrica a partir do biogás produzido no tratamento do lodo e, ainda, fertilizante agrícola.
A prefeita Suéllen Rosim disse que será prioridade obter a nova licença de instalação junto à Cetesb. Até porque isso poderia atrasar a retomada em curso da obra. Outra frente será fazer gestão para aprovar junto a União a não devolução de R$ 100 milhões (valor atualizado referente a recursos de Brasília que financiaram a ETE até aqui. Sem contar o que o consumidor já paga pela obra e assim continuará na conta emitida pelo DAE. A pendência com a União é essencial. Porque Bauru receberia R$ 118 milhões gratuitos (fundo perdido é o nome) para a ETE. Mas o projeto ruim impediu seu uso. E o convênio diz que tem de devolver o dinheiro se o tratamento não for concluído.
As informações de mudanças no projeto fotam dadas pelo presidente do Consórcio Saneamento Bauru (CSB), Nei Moreira, e pelo do diretor Operacional, Renato Camargo, durante visita técnica na ETE, que contou com a presença da prefeita Suéllen Rosim, do presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), João Carlos Viegas de Souza; dos secretários municipais de Infraestrutura, Pérola Zanotto; de Governo, Renato Purini; do chefe de Gabinete, Leonardo Marcari; e dos vereadores de Markinho Souza, André Maldonado, Sandro Bussola, Marcelo Afonso e Edson Miguel, além de funcionários da Prefeitura, DAE e CSB.
O ETE terá a implantação da tecnologia holandesa Nereda, baseada em reatores biológicos de lodo granular. Segundo Nei Moreira, o sistema permitirá nível inédito de remoção de fósforo e nitrogênio, substâncias responsáveis pela degradação dos rios e pela proliferação de plantas aquáticas no Rio Tietê. “Levamos em consideração uma solução com um padrão tecnológico que imagino que colocará esta estação entre as dez mais eficientes do Brasil. Estamos prevendo uma remoção de fósforo e nitrogênio em um padrão que hoje não existe em nenhuma estação em funcionamento com essa tecnologia”, afirmou.
Outro ponto é o aproveitamento do biogás gerado pelos biodigestores para produção de energia elétrica. O diretor de engenharia da concessionária, Renato Camargo, explicou que o gás produzido durante o tratamento do lodo será convertido em eletricidade para abastecer a própria estação. “A parte gasosa que sai dos biodigestores será transformada em energia elétrica. Toda a geração será reutilizada na ETE”, destacou. Embora a unidade não seja totalmente autossuficiente inicialmente, a expectativa é ampliar gradativamente a produção de energia.
O projeto prevê que todo o lodo produzido no tratamento passe por biodigestão e compostagem, sendo convertido em fertilizante agrícola. Segundo Nei Moreira, serão produzidas cerca de 80 toneladas por dia de composto orgânico, que poderá ser comercializado. “O lodo será transformado em fertilizante.
Para a prefeita Suéllen Rosim, a retomada das obras representa marco histórico para o município, que hoje trata menos de 5% do esgoto produzido. “Hoje a gente passa a escrever uma nova história. Nunca estivemos tão perto de realizar esse sonho. Bauru vai deixar para trás um dos piores índices de saneamento e caminhar para tratar 100% do esgoto”, afirmou.
Nós vamos trabalhar para isso. Eu quero ter o privilégio de, assim como comecei o processo de solução do problema, de ter a oportunidade, como costumo brincar, apertar o botão e colocar essa máquina da estação para funcionar, nem que seja o último ato de 31 de dezembro de 2028, e cumprir um compromisso que fiz com os bauruenses, que é a fazer a entrega.”
A prefeita vê a retomada da obra como histórica: “Aqui a gente tem a solução para a ETE Vargem Limpa e aqui a gente tem a solução para as drenagens da avenida Nações Unidas. Ou seja, vamos ter uma cidade com esgoto tratado e vamos ter uma avenida sem alagar, depois de quase 30 anos. Então, é motivo de muita celebração”, enfatiza.

