Emdurb: a greve e o abismo com R$ 7,8 milhões de déficit acumulado e calote de R$ 15 milhões com INSS até junho

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Emdurb vai ao TRT para garantir 70% do serviço de coleta em função da indicação de greve; contas tem pior cenário até junho, com déficit de R$ 7,8 milhões e mais calote de R$ 15 milhões só com encargos

A grave situação da Emdurb atinge somas de difícil solução: R$ 7,8 milhões de déficit até junho e dívidas com fornecedores em R$ 5,1 milhões somente neste ano e, ainda, calote nos recolhimentos do INSS que já atinge R$ 15 milhões em 2022.

Este é o resumo das informações fornecidas pelo presidente da empresa, Éverson Demarchi. Nesta segunda-feira, a Emdurb espera garantir que pelo menos 70% da estrutura do serviço de coleta de lixo não pare. A solicitação de garantia deste percentual vai acabar indo para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em Campinas, caso o anúncio de indicação de greve aprovado nesta semana seja confirmado e não haja acordo por aqui.

Os funcionários tomaram a decisão após serem informados pela direção de que não há como realizar a mesma antecipação no aumento do valer-compra concedido aos servidores da Prefeitura e DAE, de R$ 625,00 para R$ 1.000,00. Tanto o Jurídico da Prefeitura quanto da Emdurb apontaram que não há “base legal para antecipar o vale-compra em uma conhecida situação de prejuízo acumulado e não pagamento de fornecedores e encargos sociais”.

CALOTE ACUMULADO

A situação gravíssima é conhecida. A Emdurb iniciou este ano com buraco de pouco mais de R$ 21 milhões nas contas. A empresa, durante a gestão de Luiz Carlos da Costa Valle, foi transferida pelo governo Gazzetta com R$ 14 milhões de rombo.

Conforme a presidência, a receita de janeiro a junho deste ano foi de R$ 27.553.257,29. Mas a despesa total somou R$ 35.388.784,58. Assim, o resultado negativo do primeiro semestre é de R$ 7.835.527,29 (apenas no confronto entre o que a Emdurb faturou e o que tem de dívida somente dos primeiros 6 meses de 2022).

Segundo a empresa, somente com fornecedores a conta a pagar é de R$ 5.102,586,02. Para “cobrir o buraco” e não parar de atuar, a gestão está deixando de recolher obrigações. Somente os encargos (INSS) não recolhidos não parcelados somam R$ 15 milhões, neste ano. 

E se não consegue recolher os encargos do mês é evidente que a Emdurb não está conseguindo honrar parcelamentos já realizados. A presidência menciona que, sobre o acumulado (abaixo), há peso maior registrado em janeiro e fevereiro. De qualquer forma, do jeito que está a Emdurb não sai da sinuca a caminho da falência (financeira, administrativa).

Dados fornecidos pela presidência da Emdurb

PERDEU SERVIÇOS

Da pandemia até aqui, o quadro piorou. Basicamente, a Emdurb vem perdendo contratos exclusivos com a Prefeitura desde antes da pandemia (como dos serviços de chorume, lixo hospitalar, varrição, etc.). Durante a pandemia Covid a receita despencou. Em torno de 116 funcionários cumpriram afastamento. Ou seja: a receita caiu, mas a despesa aumentou.

É fato que a pandemia trouxe consequência danosas. Mas também é realidade que a empresa municipal já vinha perdendo contratos sem, contudo, cortar despesas. Desde o governo anterior. Sem este ajuste não há como a Emdurb se recuperar, a médio prazo. E se demorar a agir, não consegue ter a chance de se reerguer.

Não adianta recorrer à antiga solução da Prefeitura aportar (transferir) recursos para a empresa. Se ainda for possível esta ação, a Emdurb só conseguirá se adequar se cortar despesas – tendo equipes e custos adequados aos serviços que presta).

O presidente, Éverson Demarchi, foi chamado pela prefeita para tomar as medidas necessárias. Mas o governo demora. E a prefeita Suéllen Rosim sabe que não há como fugir de cortes na folha de pagamento.

DEMISSÃO VOLUNTÁRIA

Na última sexta-feira, Demarchi informou que está sendo preparado Plano de Demissão Voluntária (PDV). “Vamos oferecer vantagens adicionais para reduzir o quadro. Temos que adequar setores onde a empresa não atua mais, deixou de prestar serviços. O recebimento de vantagens, dos 40% de rescisão e pagamento do plano de saúde por 1 ano estão nas medidas que estamos preparando”, citou.

Na avaliação preliminar, Demarchi cita, por exemplo, que a Emdurb tem 70 funcionários aposentados que continuam atuando. “Este quadro representa 10% do total de pessoal e R$ 350 mil mensais com folha de pagamentos, vale e plano de saúde. É um momento muito difícil, onde as medidas estão sendo pensadas para causar o menor impacto possível”, comenta.

Sobre a indicação de greve, Éverson pontua: “é evidente que entendemos a reivindicação dos funcionários para a antecipação do valor do vale-compra. Mas não temos saída jurídica, administrativa, para conceder. A empresa já assimilou a reposição salarial de 10,06% e o reajuste do vale em março, mesmo sem ter caixa para isso. Compreendemos a dificuldade e vamos buscar garantir 70% dos serviços essenciais, como a coleta. O pior é que greve significa perder mais receita e isso infelizmente agrava ainda mais a situação. Nosso trabalho hoje é para garantir o pagamento dos salários e do 13º no final do ano e isso não está sendo fácil”, complementa.

No próximo dia 28 de julho, às 14 horas, haverá audiência pública onde a empresa foi chamada a apresentar as ações para estancar o déficit e tentar buscar o reequilíbrio financeiro. As medidas, entretanto, não terão resultado em poucos meses. Mas precisam ser tomadas agora. E já deveriam ter sido realizadas…

LEIA TAMBÉM: artigo do auditor fiscal e ex-secretário de Finanças, Marcos Garcia, avalia o caso do vale alimentação: https://contraponto.digital/emdurb-o-caso-do-reajuste-do-vale-alimentacao/

 

 

 

 

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