

A Prefeitura de Bauru foi uma franquia da corrupção para operar a fraude bilionária do lixo desarticulada pelo Gaeco de Bauru. Esta é a gravidade das operações trazidas pelos promotores do núcleo Bauru de combate ao crime organizado. O que a prefeita Suéllen Rosim tem de explicar é como se deu ou permitiu a montagem estruturada da organização criminosa que agiu dentro e fora do governo municipal neste segundo mandato.
O contrato de R$ 5,3 bilhões só não foi assinado porque os promotores do Gaeco Bauru implodiram com a farsa organizada da licitação. E a prefeita insistiu com o modelo de concorrência dirigida em concorrências bilionárias. As investigações nesta fase buscaram, evidente, desmantelar a quadrilha e prender os nomeados pela prefeita Suéllen no esquema. Qualquer outra frase de efeito em rede social não é capaz de sair desse foco.
A seguir, o CONTRAPONTO revela como interceptações telefônicas e de mensagens nas duas Operações deflagradas esta semana mostram a engenhosa, orquestrada e estruturada cooptação e infiltração comandada de dentro da máquina pública para o “lixo do lixo”.
O caso traz detalhes de como a nomeada por Suéllen Rosim liderava o esquema, tendo o presidente da Estre Ambiental, também preso (Hamilton), como o braço externo – beneficiário direto da fraude montada.
Mas as interceptações mais belicosas citando a prefeita não vem da líder do esquema, Cilene Bordezan. Vem da conhecida língua afiada de Gisele Moretti, cuja outra parte da Operação do Gaeco está sob sigilo. O CONTRAPONTO também toma o necessário cuidado de não fazer ilação sobre fotos e citações de terceiros nas conversas. Nem a prefeita e nem os terceiros estão nas conversaa. E por isso mesmo não integram, até aqui, o rol de alvos criminais.
O foco é a quadrilha estruturada dentro do governo Suéllen para fraudar o edital bilionário do lixo.
O capitulo das falas de Cilene Bordezan sobre presentes, estão no caso para buscar qual acesso o beneficiário do esquema bilionário (presidente da Estre) teve com a prefeita. Qualquer outro uso desse material é indevido e muda o foco. Não vamos servir a isso.
Da mesma forma, o Gaeco também faz ressalvas. Isso vale também para a “boca afiada” de Gisele Moretti, conforme interceptações.
10 PONTOS INICIAIS
1) o processo traz citações graves que demonstram acesso do dono da Estre Ambiental à prefeita na fase de andamento final da concessão montada pela secretária Cilene Bordezan.
2) As interceptações mostram Cilene Bordezan se valendo de sua relação íntima com Hamilton também para o acesso dele à prefeita. E ele é o presidente da empresa Estre – que seria beneficiária do edital bilionário montado por Cilene dentro da Prefeitura.
3) o Gaeco deixa claro que a investigação vem para desmontar organização criminosa instalada dentro da Prefeitura para fraudar concessão bilionária do lixo. Organização que teve nomeados pela prefeita a líder do esquema, Cilene Bordezan no comando da pasta de Meio Ambiente, com a então funcionária da Estre, Sara Jesus, também sendo nomeada pela prefeita para secretária adjunta.
4) O primeiro escalão nomeado por Suéllen ainda tinha no grupo o secretário Jurídico, Vitor Freitas. Ele é detido com R$ 250 mil em dinheiro que Gaeco atribui a propina interceptada na operação.
5) Vitor Freitas está citado diretamente pela secretária Cilene em conversa telefônica dela com o presidente da Estre há poucos dias. Nela, Cilene fala que o esquema teria de pagar mais dinheiro para cooptar pessoas e liberar o edital suspenso no Tribunal de Contas. O Gaeco interrompeu o esquema.

Transcrição: Cilene fala com Hamilton:
O Vitor falou que amanhã está lá no Tribunal de Contas pra conversar com quem precisa. Se ele vai conseguir ou não, não sei, mas na terça-feira eu já me garanti né.
Tá ótimo, tá ótimo. Se ele conseguir é o ideal, né.
É, se ele não conseguir é o ideal. Mas ele não quer fazer oficialmente, ele quer ir pelos amigos dele, e amigo dele tem preço e custa caro. Eu também tenho amigo, mas ele também quer ganhar, né Hamiltinho, todo mundo é sanguessuga nessa vida, eu falo: é impressionante como a gente é cercado de vampiro. Sabe, eu não preciso desses caras, se você tiver que pagar, a gente paga um pedágio a menos, né, porra! Eu fico puta com essas coisas! Tudo, tudo é dinheiro, tudo é dinheiro, tudo a gente sabe que o mundo gira no dinheiro mas (…)
6) Este diálogo é importante (um dos) para a apuração do crime porque a secretária e líder do esquema Cilene traz o secretário Vitor pra dentro do jogo. A função nova era ir ao Tribunal de Contas para liberar o edital. Mas Suéllen também já havia designado Vitor para presidir a Comissão de PPPs, no início do ano. Nela Vitor agiu rápido para aprovar o projeto validado pela Fipe e a minura do edital do lixo. O CONTRAPONTO também revelou isso.
7) As citações interceptadas que implicam a prefeita são feitas por terceiros. O Gaeco ressalva que elas indicam a relação com quem manda e decide. Mas não trazem fala ou conversa de Suéllen. O núcleo do esquema fraudulento está com Cilene. E ela cuida do presidente da Estre acessar a prefeita. Os trechos citando presentes são necessários para confirmar isso. E o esquema se estruturou quando a prefeita loteou o governo. E o esquema do lixo ficou sob o comando de Cilene.
8) As citações mais fortes a Suéllen não vêm da secretária Cilene. Vem da também presa na operação Gisele Moretti, presidente da Associação dos Recicláveis (Ascam). A questão é que Gisele Moretti é colérica; “fala muito”, comenta tudo e de todos. Esta parte da operação está em sigilo. Esses conteúdos, porém, vão abrir lupa sobre outros personagens. O que é fato nisso: uma segunda frente de corrupção no caso dos recicláveis no esquema.
9) ou seja, especificamente pelas conversas interceptadas, os aúdios e mensagens com Gisele Moretti são bem mais explosivos. A secretária Cilene comandou o esquema montado dentro da Prefeitura. Mas o grupo já sabia que era risco tratar com Gisele Moretti interessada nos recicláveis. Ela ataca em defesa de seu negócio.
10) é preciso salientar que as conversas interceptadas trazem várias citações de terceiros, agentes públicos e políticos, sem que isso implique em participação no caso. E aqui é preciso foco. Porque desvia-lo interessa a quem não quer este caso explicado. O núcleo em apuração pelo Gaeco é fraude a PPP bilionária e organização criminosa estruturada dentro da Prefeitura. As derivações terão de ser objeto de outros inquéritos, por desdobranento, se MP considerar indícios. Os citados, portanto, não estão sob apuração criminal no caso. Nem a prefeita até aqui, como ressalva o MP. A questão de Suéllen Rosim é de que passará pelo crivo do MP pela responsabilidade pelas nomeações que geraram a presença criminosa estruturada no seu governo. É a teoria do conhecimento do fato em questão!
NA PREFEITURA
A Estre Ambiental não era apenas a única empresa com aterro contratado pelo Município, era uma extensão de gestão encravada dentro da estrutura do governo Suéllen Rosim, destacam os promotores do Gaeco Bauru no processo preparatório de investigação de fraude na concessão bilionária do lixo, corrupção e associação criminosa.
Além disso, interceptações de conversas telefônicas e mensagens, com autorização judicial, ainda permitiram aos promotores do Gaeco de Bauru apreender perto de R$ 250 mil com o ex-secretário Juŕídico Vitor Freitas. Segundo o MP, o valor seria pagamento de propina. Apuramos que ele teria lastro para o valor em espécie em casa.
Mas, conforme a investigação, Vitor Freitas (de Santos) não foi somente o ator no recebimento da alegada propina. Ele, também em data recente, foi escolhido pela prefeita para presidir a Comissão Municipal de PPPs, onde referendou o edital com as regras que impedem a concorrência por outras empresas na busca de assinatura de contrato de R$ 5,3 bilhões. E o edital só foi suspenso porque cidadãos foram ao TCE.
A posição da prefeita é de tentar descolar suas digitais políticas da crise. Como se o loteamento que fez de seu governo – com simbiose junto a caciques políticos estaduais ligados aos nomeados não estivessem na variante da apuração pelo Gaeco. O MP não só lança no processo que o direcionamento da concessão bilionária estava orquestrada dentro do governo, como, em ousadia sem precedentes, a própria empresa interessada na concessão estava dentro da estrutura municipal.
OS INVESTIGADOS
A ex-secretária do prefeito Manga veio de Sorocaba escalada para liderar o esquema e estruturá-lo dentro da Prefeitura de Bauru. Suéllen Rosim loteou o governo e deu a Cilene Bordezan, titular do Meio Ambiente, carta branca para liderar o esquema.
As prisões realizadas desta semana alcançam a Estre dentro e fora do governo. Este é um dos eixos da apuração do Gaeco. Além de acolher Cilene, a líder do esquema de corrupção, a prefeita da a ela também no primeiro escalão a nomeação de Sara Jesus como secretária adjunta, ex-funcionária da Estre. O esquema criminoso se instalou na máquina pública na gestão Suéllen. A Estre estava dentro e fora da máquina. Sara também está presa na operação.
Assim como Suéllen nomeou Cilene Bordezan, ex-secretária municipal em Sorocaba, como titular do Meio Ambiente, deu poderes para ela elaborar o edital do lixo e definir, diretamente com o comando da própria empresa privada interessada no contrato.
“As comunicações obtidas pelo GAECO no caso revelam interdependência, com disponibilidade de diferentes instrumentos de poder por cada um dos investigados.”, traz o processo. Em uma conversa familiar de 7 de agosto, ela (Cilene) afirmou: “Ele não dá um peido na Estre sem falar comigo.”. Ela se referia a Hamiltom , comandante da Estre.
“Como se vê, Cilene tinha autonomia na própria empresa cuja licitação estava direcionando”, aponta o Gaeco. Cilene também mantinha familiaridade com funcionários (da prefeitura e da empresa), como Rose, Talita, Leonardo e Júlio, além de participar de decisões relacionadas à composição de equipes e organização dos projetos.
Hamilton Agle controlava recursos empresariais, funcionários, consultores, serviços e logística. Já Cilene possuía acesso a informações administrativas, servidores, agentes políticos e decisões relacionadas ao procedimento municipal.
A Secretaria de Meio Ambiente virou extensão da empresa dentro da administração municipal, diz a investigação. Pessoas anteriormente relacionadas à Estre Ambiental, interessadas no resultado do certame, teriam participado da modelagem da concessão a partir de posições estratégicas na estrutura municipal, da elaboração de documentos, da contratação e interlocução com consultorias, da circulação de informações administrativas e da preparação de manifestações oficiais”, trazem os promotores.
Hamilton Libório Agle atuava como representante da Estre nos projetos de concessão de resíduos.
Cilene, nas comunicações, aparece em diálogos com elevado intimismo mantido entre Cilene.
Gisele Morettti, presidente da Associação das Cooperativas (Ascam) e seu companheiro Valdomiro Pereira foram presos, mas baseado em investigação em outra operação, a que trata de indícios de corrupção no contrato de recicláveis (que está em andamento com a Prefeitura e que tem na concessão do lixo a participação das cooperativas).
Sara Jesus, ex-funcionária da Estre, era secretária adjunta na pasta de Meio Ambiente, onde passou a atuar no esquema comandada por Cilene.
Roldão Pucci Neto era coordenador de políticas públicas na pasta do Meio Ambiente. Ele está sendo investigado por participar em uma parte do esquema, relações com os recicláveis e indícios de corrupção.
Mário Valério, coordenador técnico da Fipe sofreu busca e apreensão em seus endereços na Capital (SP). Ele coordenou os estudos das concessões do esgoto e do lixo e validou os trabalhos de Cilene Bordezan na PPP do lixo, conforme a própria ex-secretária. A Fipe foi contratada pela Prefeitura para esses trabalhos. A Justiça suspendeu o contrato de consultoria nesta semana.
OS MONITORADOS E AS ESCUTAS
Foram monitorados e tiveram arquivos de mensagens e aparelhos celulares apreendidos para baixar arquivos ainda a serem inseridos no processo´:
Cilene Bordezan, secretária do Meio Ambiente
Vitor Freitas, secretário Jurídico
Hamilton Agle, presidente da Estre Ambiental
Sara Jesus, secretária adjunta da Prefeitura e ex-funcionária da Estre
Mário Luiz Silvério, coordenador técnico da Fipe
Talita Soares Chieregatti, funcionária
Gisele Moretti, presidente da Ascam (recicláveis)
QUEM ERA VITOR
Na qualidade de secretário de Negócios Jurídicos de Bauru, o advogado santista Vitor João de Freitas Costa teve a prisão temporária decretada e foi capturado na manhã da quarta-feira (9/9) durante operação do Ministério Público de São Paulo. Vitor também foi nomeado por Suéllen para presidir a Comissão de PPPs, neste ano. Ele é rêu em Santos em ação de fraude a licitação e organização criminosa na Operação sobre uniformes escolares.
Vitor sofreu apreensão de cerca de R$ 250 mil durante sua prisão na quarta-feira. Ele teria lastro para o dinheiro em casa. O Gaeco aponta interceptação e recebimento de propina.
Mais cinco pessoas também foram detidas por força de prisão temporária, entre as quais Cilene Bordezan, secretária municipal de Meio Ambiente.

INTERCEPTAÇÕES GAECO
Conforme os 10 pontos desta etapa discutidos pelo CONTRAPONTO acima, nas condições específicas de cada citação e com base nos elementos ainda em apuração pelo Gaeco, identificamos todas as menções à prefeita Suéllen Rosim em interceptações autorizadas pela Justiça. O processo da Cavalo de Troia teve o sigilo levantado pelo juiz das Garantias, Josias Almeida Jr.. O caso das cooperativas segue em sigilo. São dezenas de trechos no processo, em centenas de registros de interceptações de cada um dos monitorados no caso.
Relatório tornado público pelo GAECO registra falas de Cilene Bordezan, Hamilton Agle e outros interlocutores sobre a prefeita Suéllen Rosim.
Um troféu, uma lembrança pelo aniversário de Bauru e uma referência a dinheiro aparecem em uma conversa interceptada entre Cilene Chabuh Bordezan, então secretária municipal do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, e Hamilton Libório Agle, identificado nos autos como dirigente da Estre Ambiental. Na ligação de 4 de agosto de 2026, os dois discutem a possibilidade de um encontro do empresário com a prefeita Suéllen Rosim e a entrega de presentes.
Os registros integram o processo nº 1000046-52.2026.8.26.0392, que reúne elementos da investigação sobre possível direcionamento da concessão do lixo de Bauru. As menções à prefeita incluem relatos de reuniões, comentários sobre a condução do edital e conjecturas sobre pagamentos.
Suéllen não é interlocutora das chamadas examinadas, segundo o Ministério Público. Na manifestação que trata das medidas cautelares, o Gaeco registra:
Embora a Chefe do Poder Executivo seja mencionada por terceiros em algumas das comunicações examinadas, não figura como interlocutora em nenhum dos diálogos captados, tampouco foi identificada em reuniões reservadas relacionadas aos fatos investigados.
Sobre eventual vantagem indevida, a mesma peça afirma que não há no estágio atual da investigação suporte para incriminar a prefeita de Bauru Suéllen Rosim:
Pela mesma razão, não há, no estágio atual, suporte para cogitar a prática de corrupção passiva ou participação em qualquer ajuste voltado à oferta ou à concessão de vantagem indevida, pois não se demonstraram solicitação, recebimento ou aceitação de promessa, tampouco ação ou omissão funcional vinculada a benefício indevido.
Os trechos abaixo reproduzem o texto dos autos, que alterna falas entre aspas e resumos elaborados pelos investigadores. As falas atribuídas a Suéllen são recontadas por outras pessoas.
O troféu e encontro
Na chamada de 4 de agosto, às 7h57, Hamilton fala com Cilene sobre a entrega de um “troféu”. O relatório registra a orientação da secretária e o relato do empresário sobre um compromisso com a prefeita:
Hamilton diz que também queria falar com Cilene a respeito de um trofeuzinho para mandar para a prefeita e que teria ficado de Hamilton mesmo dar. Aos 03:24, Cilene diz: “Entrega você pessoalmente”. Hamilton diz: “Ela (prefeita) tinha falado: ‘Ah, vamos marcar dia 12 em São Paulo’. Eu tava pensando o seguinte, amor, você hoje quando falar com ela falar assim: ‘Amanhã, Hamilton vem aqui porque ele quer ver o negócio do aterro e perguntou se você teria um tempinho para encontrar com ele, o ideal é sempre na parte da manhã, que ele vai vir aqui’ que aí eu já entrego lá”.

Na sequência, Cilene pergunta sobre resolver um assunto identificado como “BO”. Hamilton propõe que ela procure a prefeita reservadamente ou envie uma mensagem. O texto original reúne a pergunta, a resposta e a referência à lembrança pelo aniversário da cidade:
Cilene diz: “E já não valeria vocês resolverem esse BO, porque você sabe que ela vai querer, né?”. Hamilton responde: “É, já sei, então, dá até mais tempo de eu me programar, entendeu, do que semana que vem. Já que eu vou estar aí, você chama ela reservadamente, ou manda uma mensagem para ela, e diz: ‘Hamilton me ligou de manhã e disse que vocês combinaram na quarta-feira dia 12, só que ele lembrou (…) que quarta-feira, amanhã, ele vai estar aqui, porque ele vai ver o negócio de Piratininga e passaria para ver a senhora, inclusive, tem um negócio que ele quer te entregar, um presente, uma lembrancinha pelo aniversário de Bauru” (quando Hamilton diz “presentinho”, Cilene ri e diz dinheiro).

Ao final da mesma ligação, Hamilton pergunta sobre levar um presente para o filho de Suéllen. A reprodução da chamada na página 494 reúne a pergunta e a resposta de Cilene:
Hamilton pergunta se já seria o caso de levar presentinho para o filho dela (Suellen está grávida). Cilene diz que seria bom. Hamilton pergunta onde compraria isso. Cilene fala para ele passar no JK (shopping) e ver alguma loja de criança. Hamilton diz que já que vai no Vila Lobos, compraria lá. Cilene concorda.

Em 11 de agosto, às 19h55, Cilene pergunta a Hamilton se o dia seguinte começaria com a prefeita. O relatório relaciona essa passagem à ligação de 4 de agosto e identifica Suéllen pelo nome:
Aos 06:00, CILENE indaga se amanhã o dia de HAMILTON começaria com a prefeita (cf. ligação de 04/08/26, 07:57, Suellen Rosim). HAMILTON responde que teria amanhã almoço com a prefeita, depois almoço com RICARDO e com ABRAÃO e diversas reuniões ao longo do dia.

No dia seguinte, em uma chamada iniciada às 11h37, Hamilton menciona a possível chegada da prefeita. O documento reproduz:
Ao final da ligação, Hamilton diz: “Acho que a prefeita chegou”. Cilene diz: “Tá, depois você me conta” e se despedem.
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Município diz que vai cobrar 100% da tarifa do lixo desde início da concessão
NÚCLEO DA APURAÇÃO
Por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o MP-SP deflagrou a Operação Cavalo de Troia para desarticular fraude na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos em Bauru. A investigação mira em um contrato com previsão de 30 anos de duração e valor total estimado em R$ 5,2 bilhões.
Segundo o Gaeco, trata-se da maior contratação pública na história de Bauru. A operação recebeu o nome de Cavalo de Troia devido à inserção no centro da Administração Municipal, ente responsável pela concessão, de uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa beneficiária pelo direcionamento da licitação.
A partir dessa posição estratégica, interesses privados teriam passado a influenciar internamente a formatação e a condução do procedimento, com a inclusão de cláusula restritiva no edital, permitindo que decisões formalmente públicas fossem discutidas e preparadas em articulação com representantes empresariais.
A finalidade era assegurar vantagem indevida à empresa investigada, interessada em vencer a licitação. O grupo especial do MP diz que identificou indícios de pagamentos e vantagens, circulação reservada de documentos, interferência na elaboração de manifestações administrativas e estratégias destinadas direcionar o certame.
A operação tem por finalidade aprofundar a apuração dos crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados.
Autorizadas pela Vara Regional das Garantias da 3ª Região Administrativa Judiciária – Bauru, as medidas judiciais buscam preservar provas, esclarecer a origem e o destino de pagamentos e identificar a participação de cada investigado. Para cumprir os mandados, o Gaeco contou com o apoio da Polícia Militar e do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
De acordo com o MP-SP, comunicações interceptadas com aval judicial revelaram planos de aproximação e infiltração de pessoas em instituições públicas com o objetivo de obter informações privilegiadas e viabilizar a oferta de vantagens indevidas, inclusive, em outros municípios, também com valores bilionários.
A Prefeitura de Bauru informou por meio de nota que colabora com as investigações. A prefeita demitiu os investigados presos. Suéllen Rosim enfatizou que não é alvo nas investigações do ponto de vista criminal.