
A recuperação apenas da drenagem e do estrago físico decorrente em parte do Sambódromo, no Núcleo Geisel, exige R$ 17 milhões. É o que apresentou a Secretaria de Infraestrutura em audiência pública, ontem, no Legislativo convocada pela vereadora Estela Almagro.
O Município não tem recutso para esta obra, cujos projetos foram contratados e concluídos. De outro lado, integrantes do setor cultural defendem que a recuperação já englobe a adaptação deste equipamento de lazer e entretenimento ao futuro Parque da Àgua Comprida, previsto para o mesmo entorno.
Na audiência, a secretária municipal de Infraestrutura, Pérola Zanotto, informou que os projetos executivos já foram concluídos e avalizados pela pasta. Gerente de Infraestrutura Pública, Fernanda Fabri explicou que a proposta atual concentra-se na solução dos problemas de drenagem do Núcleo Geisel, apontados como a principal causa das patologias estruturais que levaram à interdição do Sambódromo, e na estabilização do talude existente no local.
As intervenções foram divididas em duas frentes, que poderão ser executadas juntas ou contratadas separadamente. A estabilização do talude está orçada em aproximadamente R$ 4 milhões, enquanto as obras de drenagem e recuperação do pavimento somam cerca de R$ 13 milhões, totalizando investimento estimado em R$ 17 milhões. O prazo previsto para execução é de 15 meses.
Questionado sobre a viabilidade financeira da obra, o secretário municipal da Fazenda, Everson Demarchi, afirmou que o investimento não está previsto no Plano Plurianual (PPA) nem na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo exercício. Segundo ele, a execução por recursos próprios exigiria a revisão das prioridades orçamentárias do município.
OUTRAS AÇÕES
Embora tenha considerado o projeto fundamental para resolver os problemas estruturais do local, o representante do setor cultural Paulo Maia defendeu que a recuperação seja acompanhada por uma discussão sobre adaptações arquitetônicas que atendam às demandas atuais das escolas de samba.
Entre as sugestões apresentadas estão a revisão de aspectos operacionais do desfile, como áreas de concentração e recuo de bateria, além da implantação de barracões permanentes para armazenamento de alegorias e desenvolvimento dos trabalhos das agremiações.
Fernanda Fabri explicou que essas alterações não fazem parte do projeto atualmente concluído, que se restringe às obras de drenagem e estabilização do talude.
O secretário municipal de Cultura, Roger Barude, manifestou apoio às propostas apresentadas pelo setor carnavalesco e afirmou que a criação de uma estrutura permanente para as escolas de samba, nos moldes de uma “Cidade do Samba”, permanece como objetivo da administração cultural. Também defendeu a busca de parcerias público-privadas para viabilizar novos investimentos no complexo.
Outro encaminhamento defendido durante a audiência foi a ampliação do debate para além da recuperação estrutural do Sambódromo.
Estela Almagro propôs que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal passe a integrar as discussões para elaborar um projeto voltado ao futuro Parque da Água Comprida, previsto para a área vizinha ao equipamento.