São Carlos abre concessão pelo Universaliza. Estudo traz que cidade desperdiça mais àgua que Bauru, mas já trata 95% do esgoto

Estado abriu processo da concessão de àgua e esgoto em São Carlos

A Prefeitura de São Carlos teve nesta segunda-feira a abertura do processo para o contrato do programa de concessões para àgua e esgoto UniversalizaSP com o Estado. Em Bauru, como se sabe, a prefeita aderiu ao programa só para àgua. Esgoto já tem como vencedor consórcio em licitação própria, vencida pelo grupo liderado pela CBI.

No programa aberto hoje, entre as regras está que uma Agência Reguladora vai definir as tarifas unificadas de àgua e esgoto, por 33 anos. O reajuste é anual e deve suportar custos com operação e investimentos. Segundo o governo, serão R$ 636 milhões de investimentos previstos até 2033, para universalização do atendimento na cidade, levando água potável, coleta e tratamento para todos os bairros, incluindo áreas como Cidade Aracy e Santa Felícia – hoje não atendidas.

Um dos principais desafios para o município, identificados no diagnóstico técnico elaborado em uma das etapas do programa, é o elevado índice de perdas de água na rede de distribuição, de 52,22%, um dos pontos mais críticos do sistema local. Esse cenário reflete tanto perdas físicas, como vazamentos em redes antigas, quanto perdas aparentes, relacionadas a falhas de medição e irregularidades. Como resposta, o programa estabelece a meta de redução dessas perdas para 25% até 2033, por meio da implementação de um plano estruturado de combate ao desperdício.

O índice de perdas é superior a Bauru (perto de 47%). As soluções são similares ao programa daqui. Para alcançar redução de perdas para 25%, o contrato contempla um conjunto de soluções técnicas, como setorização da rede, ampliação da macromedição, substituição de hidrômetros, instalação de válvulas redutoras de pressão e renovação de trechos críticos da infraestrutura existente.

Além do desafio operacional, o diagnóstico técnico também aponta a necessidade de ampliar a cobertura dos serviços. Atualmente, cerca de 4,37% da população ainda não conta com atendimento adequado de água potável, o que representa aproximadamente 11,3 mil habitantes. No caso do esgotamento sanitário, o déficit é de 5,06%, atingindo cerca de 13,1 mil pessoas sem acesso à coleta e destinação adequada de esgotos. Nesse item, como se sabe, a posição de Bauru é péssima: não trata nem 5% do total – o inverso de São Carlos.

Ainda na área de abastecimento de água, o projeto prevê a ampliação e recuperação de centros de produção e reservação, além da regularização operacional de unidades existentes, como a ETA CEAT, e melhorias na ETA Vila Pureza. Estão previstas intervenções em estruturas estratégicas, como os sistemas de Salto do Monjolinho, Porto Royale, Parque Lilazes, Água Santa, Vila Pureza, Maria Stella Fagá, Rodovia Washington Luís e Parque Industrial.

Já no eixo de esgotamento sanitário, as intervenções têm como foco a universalização do serviço e a modernização da infraestrutura existente, incluindo a substituição e adequação de redes coletoras, coletores tronco e interceptores antigos. Entre as principais ações previstas estão a ampliação e melhoria dos sistemas de tratamento em Água Vermelha e Santa Eudóxia, além de intervenções estruturais na ETE Monjolinho.

Conduzido pelas Secretarias de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e de Parcerias em Investimentos (SPI), o encontro integra a etapa de consulta pública do UniversalizaSP, que antecede a publicação dos editais e a estruturação final dos blocos regionais de prestação dos serviços.

O ciclo de audiências públicas segue com encontros em Junqueirópolis (26/05) e em formato virtual no dia 27/05. A população pode acessar os documentos do projeto e enviar contribuições até o final do mês.

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