Secretários Jurídico e do Meio Ambiente e mais 3 são presos pelo Gaeco em apuração de propina na concessão do lixo

Alguns dos alvos são a Secretaria de Negócios Jurídicos e a Secretaria de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal
O Gaeco atua em duas frentes. Uma é a fraude no edital bilionário do lixo. Outra é de serviços contratos com  cooperativa da coleta seletiva.

A do lixo é chamada de Operação Cavalo de Troia – aberta segundo o Gaeco para desarticular uma fraude licitatória na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos da Prefeitura de Bauru, confirma o Gaeco. Em conjunto, houve o cumprimento de diligências também no segundo caso, a Operação Mobius, visando a esclarecer irregularidades em contrato de coleta seletiva. Ou seja, no mesmo setor da concessão suspensa pelo TCE.

O CONTRAPONTO apurou e alertou para direcionamento e regras de pontuação com modus operandi chamado de “envelope fechado” nos editais bilionários lançados por Suéllen Rosim nesta segunda gestão à frente da Prefeitura de Bauru.

Esse sistema foi adotado para a versão inicial do edital de esgoto – depois derrubado no Tribunal de Contas (TCE) com citação expressa da apuração jornalística do site por conselheiro no julgamento que derrubou as restrições.

Também revelamos que o edital do lixo ainda repetia esse formato, com demais regras, que colocam a empresa Estre com aterro em Piratininga como favorita. O TCE também suspendeu este edital na última semana. A prefeita indicou mudanças, mas defende manter regras restritivas. Apesar da eclosão do caso hoje, com prisão de 2 de seus secretários que vieram indicados por intermédio do grupo kassabista (Gilberto Kassab) – do governo do Estado -, Suéllen já calculava o risco de insistir com a contaminação de editais milionários. E até esta tarde (9/9) ainda não divulgou medidas para revogar o edital. 

CONTAMINAÇÃO

A Cavalo de Troia do Gaeco foi batizada em referência à principal estratégia identificada no caso: inserir no centro da administração municipal, ente responsável pela concessão, uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa beneficiária pelo direcionamento.Aqui o alvo direto é Cilene Bordezan. A própria Cilene, divulgamos, saiu bradando que tinha conduzido os estudos. Pagou pra ver! A fundação Fipe foi contratada para “validar” o que ela disse ter montado. Trataram um edital de mais de R$ 5 bilhões! O maior da história. A Fipe também conduziu o edital do esgoto, também bilionário, e a revisão pendente do Plano Diretor – cujo PL da prefeita está na Câmara – onde também apontamos sérios problemas de conteúdo que beneficiam setores da cidade. E o processo anda em aparente silêncio: aqui anotamos preocupação em atender privilégios e o planejamento urbano sucumbir. 

Da ação do lixo, de hoje, o Gaeco traz:

“A partir dessa posição estratégica, interesses privados teriam passado a influenciar internamente a formatação e a condução do procedimento, permitindo que decisões formalmente públicas fossem discutidas e preparadas em articulação com representantes empresariais. A investigação encontrou também, na estrutura da secretaria, outra profissional anteriormente vinculada à empresa alvo dos trabalhos desta quarta-feira”, traz a nota do Gaeco.

Segundo o apurado, a contratação tem previsão de durar 30 anos, com valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06, em números de fevereiro de 2026. “Trata-se da maior contratação pública já projetada na história de Bauru”, destacam promotores do Gaeco.

Segundo o GAECO, sua “dimensão econômica e duração tornam especialmente graves os indícios de captura da licitação por interesses privados. Elementos reunidos na investigação indicam que a fraude não se limitava à inclusão de uma cláusula restritiva no edital. O esquema teria sido construído por camadas, desde a concepção da concessão e a elaboração dos estudos técnicos até a definição das exigências de habilitação e pontuação, passando pela contratação de consultorias, a preparação de documentos oficiais e a reação diante de impugnações e potenciais concorrentes. A finalidade era assegurar vantagem indevida à empresa investigada, interessada em vencer o certame”.

QUADRILHA ORGANIZADA

As apurações apontam, ainda, a existência de um núcleo formado por agentes públicos, dirigentes e funcionários de empresa privada, consultores e intermediários, com divisão de funções e atuação coordenada, conforme o MP. “Foram identificados indícios de pagamentos e vantagens, circulação reservada de documentos, interferência na elaboração de manifestações administrativas e estratégias destinadas a reduzir a competição e preservar o direcionamento do certame”, afirma o Gaeco..

Ficou igualmente demonstrada uma tentativa de expansão do esquema para a cooptação de agentes públicos e a neutralização de mecanismos de controle. Os investigados chegaram a levantar informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, supostamente relacionado à relatoria de procedimento naquele órgão. Comunicações interceptadas revelaram planos de aproximação e infiltração de pessoas em instituições públicas, com o objetivo de obter informações privilegiadas e viabilizar a oferta de vantagens indevidas. Essas investidas integram, segundo a investigação, uma arquitetura mais ampla de aproximação, influência e possível corrupção de diversos agentes públicos, inclusive em projetos de outros municípios, também com valores bilionários.

OPERAÇÃO

A operação tem por finalidade aprofundar a apuração dos crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados. As medidas judiciais, autorizadas pela Vara Regional das Garantias da 3ª Região Administrativa Judiciária – Bauru, buscam preservar provas, esclarecer a origem e o destino de pagamentos e identificar a participação individual dos investigados.
MATÉRIAS EXCLUSIVAS ALERTAM PARA DIRECIONAMENTO DE EDITAIS BILIONÁRIOS E CUSTO ELEVADO AO VINCULAR COM ÀGUA:
O plano de concessões de R$ 9 bilhões de Suéllen – CONTRAPONTO https://share.google/viiUag0rAg9JW0x0r

 

 

 

 

1 comentário em “Secretários Jurídico e do Meio Ambiente e mais 3 são presos pelo Gaeco em apuração de propina na concessão do lixo”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Conteúdo protegido!
Rolar para cima
CONTRAPONTO
Visão Geral da Privacidade

Todas as suas informações pessoais recolhidas, serão usadas para o ajudar a tornar a sua visita no nosso site o mais produtiva e agradável possível.

A garantia da confidencialidade dos dados pessoais dos utilizadores do nosso site é importante para o Contraponto.

Todas as informações pessoais relativas a membros, assinantes, clientes ou visitantes que usem o Contraponto serão tratadas em concordância com a Lei da Proteção de Dados Pessoais de 26 de outubro de 1998 (Lei n.º 67/98).

A informação pessoal recolhida pode incluir o seu nome, e-mail, número de telefone e/ou telemóvel, morada, data de nascimento e/ou outros.

O uso da Alex Sanches pressupõe a aceitação deste Acordo de privacidade. A equipe do Contraponto reserva-se ao direito de alterar este acordo sem aviso prévio. Deste modo, recomendamos que consulte a nossa política de privacidade com regularidade de forma a estar sempre atualizado.

Os anúncios

Tal como outros websites, coletamos e utilizamos informação contida nos anúncios. A informação contida nos anúncios, inclui o seu endereço IP (Internet Protocol), o seu ISP (Internet Service Provider), o browser que utilizou ao visitar o nosso website (como o Google Chrome ou o Firefox), o tempo da sua visita e que páginas visitou dentro do nosso website.

Ligações a Sites de terceiros

O Contraponto possui ligações para outros sites, os quais, a nosso ver, podem conter informações / ferramentas úteis para os nossos visitantes. A nossa política de privacidade não é aplicada a sites de terceiros, pelo que, caso visite outro site a partir do nosso deverá ler a politica de privacidade do mesmo.

Não nos responsabilizamos pela política de privacidade ou conteúdo presente nesses mesmos sites.