
A do lixo é chamada de Operação Cavalo de Troia – aberta segundo o Gaeco para desarticular uma fraude licitatória na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos da Prefeitura de Bauru, confirma o Gaeco. Em conjunto, houve o cumprimento de diligências também no segundo caso, a Operação Mobius, visando a esclarecer irregularidades em contrato de coleta seletiva. Ou seja, no mesmo setor da concessão suspensa pelo TCE.
O CONTRAPONTO apurou e alertou para direcionamento e regras de pontuação com modus operandi chamado de “envelope fechado” nos editais bilionários lançados por Suéllen Rosim nesta segunda gestão à frente da Prefeitura de Bauru.
Esse sistema foi adotado para a versão inicial do edital de esgoto – depois derrubado no Tribunal de Contas (TCE) com citação expressa da apuração jornalística do site por conselheiro no julgamento que derrubou as restrições.
Também revelamos que o edital do lixo ainda repetia esse formato, com demais regras, que colocam a empresa Estre com aterro em Piratininga como favorita. O TCE também suspendeu este edital na última semana. A prefeita indicou mudanças, mas defende manter regras restritivas. Apesar da eclosão do caso hoje, com prisão de 2 de seus secretários que vieram indicados por intermédio do grupo kassabista (Gilberto Kassab) – do governo do Estado -, Suéllen já calculava o risco de insistir com a contaminação de editais milionários. E até esta tarde (9/9) ainda não divulgou medidas para revogar o edital.
CONTAMINAÇÃO
A Cavalo de Troia do Gaeco foi batizada em referência à principal estratégia identificada no caso: inserir no centro da administração municipal, ente responsável pela concessão, uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa beneficiária pelo direcionamento.Aqui o alvo direto é Cilene Bordezan. A própria Cilene, divulgamos, saiu bradando que tinha conduzido os estudos. Pagou pra ver! A fundação Fipe foi contratada para “validar” o que ela disse ter montado. Trataram um edital de mais de R$ 5 bilhões! O maior da história. A Fipe também conduziu o edital do esgoto, também bilionário, e a revisão pendente do Plano Diretor – cujo PL da prefeita está na Câmara – onde também apontamos sérios problemas de conteúdo que beneficiam setores da cidade. E o processo anda em aparente silêncio: aqui anotamos preocupação em atender privilégios e o planejamento urbano sucumbir.
Da ação do lixo, de hoje, o Gaeco traz:
“A partir dessa posição estratégica, interesses privados teriam passado a influenciar internamente a formatação e a condução do procedimento, permitindo que decisões formalmente públicas fossem discutidas e preparadas em articulação com representantes empresariais. A investigação encontrou também, na estrutura da secretaria, outra profissional anteriormente vinculada à empresa alvo dos trabalhos desta quarta-feira”, traz a nota do Gaeco.
Segundo o apurado, a contratação tem previsão de durar 30 anos, com valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06, em números de fevereiro de 2026. “Trata-se da maior contratação pública já projetada na história de Bauru”, destacam promotores do Gaeco.
Segundo o GAECO, sua “dimensão econômica e duração tornam especialmente graves os indícios de captura da licitação por interesses privados. Elementos reunidos na investigação indicam que a fraude não se limitava à inclusão de uma cláusula restritiva no edital. O esquema teria sido construído por camadas, desde a concepção da concessão e a elaboração dos estudos técnicos até a definição das exigências de habilitação e pontuação, passando pela contratação de consultorias, a preparação de documentos oficiais e a reação diante de impugnações e potenciais concorrentes. A finalidade era assegurar vantagem indevida à empresa investigada, interessada em vencer o certame”.
QUADRILHA ORGANIZADA
As apurações apontam, ainda, a existência de um núcleo formado por agentes públicos, dirigentes e funcionários de empresa privada, consultores e intermediários, com divisão de funções e atuação coordenada, conforme o MP. “Foram identificados indícios de pagamentos e vantagens, circulação reservada de documentos, interferência na elaboração de manifestações administrativas e estratégias destinadas a reduzir a competição e preservar o direcionamento do certame”, afirma o Gaeco..
Ficou igualmente demonstrada uma tentativa de expansão do esquema para a cooptação de agentes públicos e a neutralização de mecanismos de controle. Os investigados chegaram a levantar informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, supostamente relacionado à relatoria de procedimento naquele órgão. Comunicações interceptadas revelaram planos de aproximação e infiltração de pessoas em instituições públicas, com o objetivo de obter informações privilegiadas e viabilizar a oferta de vantagens indevidas. Essas investidas integram, segundo a investigação, uma arquitetura mais ampla de aproximação, influência e possível corrupção de diversos agentes públicos, inclusive em projetos de outros municípios, também com valores bilionários.
OPERAÇÃO
DEMOROU !
“A SOBERBA ANTECEDE A QUEDA” (Provérbios 16:18)